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Adolescente de 16 anos é torturada por traficantes em São Gonçalo

Crime aconteceu na Favela da Coréia, no Pita

relogio min de leitura | Redação 27 de março de 2019 - 07:10
Traficantes da Coréia torturaram e cortaram o cabelo da jovem
Traficantes da Coréia torturaram e cortaram o cabelo da jovem -

Por Thuany Dossares

Uma adolescente, de 16 anos, ficou por duas horas nas mãos de traficantes que a torturaram, na noite de segunda-feira, no Morro da Coréia, no Pita, em São Gonçalo. Parte das agressões foram filmadas pelos bandidos, que também rasparam o cabelo da menor.

Segundo policiais da 73ªDP (Neves), o crime foi cometido porque o marido da menina é suspeito de cometer assaltos. Em depoimento, a adolescente contou que ela e seu companheiro foram de carro, um Sandero dourado, até uma lanchonete do bairro, no início da noite de segunda-feira. Ela entrou no estabelecimento para buscar o lanche e viu quando bandidos armados tentaram abordar o rapaz, que estava no interior do veículo. Houve tiros e o marido dela conseguiu fugir dirigindo, enquanto a menina se escondeu numa casa.

Em seguida, a menor foi se informar com mototaxistas onde ficava o ponto de ônibus mais próximo, mas eles já estavam a sua procura, lhe deram uma “banda” e a jogaram num carro branco, que seguiu até a Favela da Coréia. Segundo a polícia, no interior da comunidade, cerca de dez traficantes, entre eles uma mulher, ligados à facção Amigo dos Amigos (ADA) iniciaram a sessão de tortura, por volta das 19h.

Primeiro, uma mulher e um homem cortaram e rasparam completamente o cabelo da vítima. A cena foi filmada pelos bandidos, que chegaram apontar uma submetralhadora para a menina. “Sabe o que você faz? Cê leva de exemplo pra lá onde cê mora, fala ‘olha aí óh, o que os capeta do ADA fizeram (sic)”, dizia a criminosa enquanto cortava o cabelo da jovem com uma tesoura.

Depois de deixar a adolescente careca, a traficante deu uma surra na menina com uma mangueira de borracha e a ordenava dizer que não podia roubar na Coréia. “O meu marido roubou e eu estou pagando pelo pato dele... Não pode roubar na Coréia”, falava a menina enquanto apanhava e a tortura era gravada.

Depois de torturarem a adolescente, os criminosos a vestiram com um casaco e um boné, lhe deram um dinheiro para passagem e ligaram do celular delas para seus pais, avisando que a estavam colocando no ônibus para casa.

Investigações - A Polícia Civil apurou que os traficantes torturaram a adolescente porque o companheiro dela estaria cometendo assaltos no entorno da comunidade e que já teria roubado celulares de alguns moradores da Coréia.

“Assim que os traficantes capturaram a menina, mandaram ela fazer contato com o marido para ele devolver o celular de um morador. Chegaram a fazer ameaças caso o celular não chegasse em 30 minutos. Então o companheiro deu o celular para um mototaxista entregar na comunidade”, explicou a delegada Norma Lacerda, responsável pelas investigações.

Desde que sequestraram a menor, os traficantes mantiveram contato com familiares da vítima. Numa conversa por telefone com o pai da menina, um bandido chegou a dizer que estava monitorando o Sandero dourado há cerca de duas semanas e prometeu que não a mataria, mas que daria um castigo.

A 73ªDP já apurou que o marido da vítima pedia emprestado o veículo para o irmão, dizendo que usaria o carro para trabalhar em aplicativo de transporte de passageiros. Ainda segundo a delegacia, a menor não é suspeita de participar de nenhum assalto junto com seu companheiro.

“O dono do carro já veio aqui e prestou depoimentos. Ele também não tem nenhuma relação com o suposto crime. Sobre esses assaltos, nós estamos procurados registros de roubos cometidos com esse veículo, mas ainda não achamos nada. Pedimos para que se alguém tiver sido vítima de assalto por ocupante de um Sandero dourado, que compareça na delegacia para fazer o registro. Mas até o momento, não temos conhecimento de que a adolescente participe dos crimes com o companheiro. Ela foi apenas vítima da tortura e alega não ter conhecimento das atividades do rapaz”, esclareceu a delegada. Norma Lacerda finalizou explicando que a 73ªDP já está trabalhando na identificação dos traficantes que participaram da tortura.

Bala perdida - No momento do tiroteio, quando os traficantes da Coréia tentavam abordar o casal, um homem de 56 anos foi baleado numa das pernas, ao passar próximo ao local. Ele foi socorrido para o Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG) e o estado de saúde dele é estável. A vítima contou aos policiais que passava por uma rua do Pita, quando ouviu tiros e, em seguida, foi atingido por uma bala perdida.

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