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DJ Rennan da Penha, do ‘baile da gaiola’ tem prisão decretada no Rio

O artista foi condenado em segunda instância, por associação para o tráfico de drogas

relogio min de leitura | Redação 22 de março de 2019 - 19:04
Considerado uma referência na nova geração do funk carioca, Rennan já gravou com vários famosos
Considerado uma referência na nova geração do funk carioca, Rennan já gravou com vários famosos -

O DJ Rennan da Penha, do famoso ‘baile da gaiola’, teve mandado de prisão expedido na última segunda-feira (18), mas informação só veio a público na tarde de hoje (22). A Justiça do Rio tinha inocentado o músico em primeira instância, mas o Ministério Público (MP-RJ) recorreu, e o artista acabou condenado em segunda instância, por associação para o tráfico de drogas. Ele deverá cumprir, de acordo com a decisão, 6 anos e 8 meses em regime fechado.

Considerado uma referência na nova geração do funk carioca, Rennan já gravou canções com Nego do Borel e foi um dos convidados da cantora Ludmilla no bloco Fervo da Lud. Ele também é um dos idealizadores do “baile da gaiola”, festa que acontece todos os sábados, na Penha, Zona Norte do Rio.

A polícia chegou até o nome de Rennan a partir de uma testemunha. "O adolescente disse que Rennan é conhecido como DJ dos bandidos, sendo responsável pela organização de bailes funks proibidos nas comunidades do Comando Vermelho, para atrair maior quantidade de pessoas e aumentar as vendas”, consta na decisão.

Outra testemunha afirmou que o DJ atuava "na área de vigilância" e destacou que sua atuação dentro da organização criminosa consistia em "informar a movimentação dos policiais através de redes sociais e contatos no aplicativo 'Whatsapp'". Já um delegado da Polícia Civil testemunhou que constavam nos autos fotos do DJ ostentando armas "de grosso calibre".

A defesa do artista argumenta que alertas sobre a movimentação policial são comuns entre moradores de comunidades, na tentativa de se proteger de possíveis tiroteios ou de danos aos carros causados pela entrada do caveirão em ruas estreitas. Também afirma que as músicas tocadas pelo DJ nos bailes retratam a realidade das favelas e não enaltecem os criminosos.

Ao ser interrogado, o próprio Rennan declarou que "não tem tempo disponível nem necessidade financeira de exercer a atividade de 'olheiro'", pois realiza em média 15 bailes por semana". Ele negou que financiasse os bailes ou que já houvesse recebido dinheiro do tráfico, explicando que quem custeia os eventos são os comerciantes da região, que instalam barracas para venda de bebida e reúnem dinheiro para pagar os músicos e o equipamento de som. Sobre a foto com a arma, alegou que havia sido tirada no carnaval e que a réplica era feita de madeira e fita isolante.

Na primeira instância, o músico acabou inocentado das acusações por falta de provas. Já em segunda instância, a Justiça considerou que há referências a traficantes em fotos publicadas por Renan. A sentença também destaca que os alertas sobre a entrada de policiais beneficiam o tráfico. E que há registro nos autos de fotos de traficantes que já foram mortos, publicadas pelo músico, com referências de afeto e saudades.

"Consequentemente, levando em conta o depoimento do delegado e do adolescente, e a confirmação pela testemunha da existência de bailes funk na comunidade com venda de entorpecente, a confissão do próprio Rennan de que os organiza e recebe rendimentos através desta atividade, bem como a exibição das postagens em redes sociais nitidamente indicativas do seu envolvimento com o tráfico de drogas, vejo como suficiente a prova colhida de forma a permitir a procedência do pleito ministerial de reforma da sentença absolutória", afirma o desembargador.

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