Tráfico decreta ‘Lei Seca’ no Jardim Catarina e Salgueiro
Ordem é cobrar R$ 10 mil para entrega de cervejas e cigarros

Um Carnaval de “bico seco”! Pelo menos o que pode acontecer, se depender dos líderes do tráfico nos bairros Jardim Catarina e Salgueiro, em São Gonçalo, respectivamente, Schumaker Antonácio do Rosário, o Piloto ou F1, e Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o 2N ou Neném, que têm tentado diversificar os ‘negócios’, além da venda de drogas.
O mais recente ‘negócio’ da dupla é a cobrança de ‘pedágio’, uma taxa para que empresas possam entregar cervejas, refrigerantes e cigarros para revendedores no interior dos dois bairros.
Com isso, uma das maiores cervejarias do País segue se negando a pagar o valor de R$ 10 mil aos criminosos, deixando comerciantes e moradores dessas comunidades ‘com sede’ nesse Carnaval.
“Com essa ordem, as cervejas que ainda temos em estoque acabam ficando muito mais caras para o consumidor. E não é só cerveja. Aqui no Jardim Catarina nem os cigarros estão sendo entregues. Somente um cigarro de segunda linha está sendo distribuído aqui dentro”, desabafou um comerciante, que por medo preferiu anonimato.
Essa ordem não é novidade nas favelas controladas pelo Comando Vermelho (CV). No carnaval de 2018, uma equipe de OSG flagrou, com exclusividade, caminhões da Ambev descarregando cervejas na Estrada do Pacheco. Na ocasião, os comerciantes iam até a via principal pegar suas cervejas, já que a empresa era proibida de entrar nas comunidades da região, incluindo o Anaia.
De acordo com a polícia, esse valor é cobrado para garantir o monopólio de venda dos produtos roubados. “Temos conhecimento que as cargas de cervejas e cigarros são as vendidas com maiores facilidades. Com esse impedimento dos comerciantes comprarem os produtos diretos dos fabricantes, os traficantes tentam ganhar dos dois lados. Eles recebem pela exclusividade de distribuição da empresa que resolve pagar, e ainda lucram com a venda de seus produtos roubados, que muitas vezes são revendidos dentro da comunidade mesmo”, explicou um policial civil, que investiga a ação dos traficantes em uma das comunidades.
Procurada a Ambev disse através de sua assessoria de imprensa que não comentaria o caso.