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Medo de milícia supera medo de traficante nas comunidades

29% dos entrevistados tem mais medo de milicianos

relogio min de leitura | Redação 18 de fevereiro de 2019 - 15:13
29% dos entrevistados tem mais medo de milicianos
29% dos entrevistados tem mais medo de milicianos -

Os milicianos são hoje mais temidos que os traficantes de facções criminosas dentro das comunidades e entre os moradores da zona sul do Rio de Janeiro. Segundo pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 29% dos entrevistados nas comunidades têm mais medo das milícias do que de traficantes e policiais – 25% têm mais medo do tráfico, 18% da polícia e 21% de todos na mesma proporção. Na zona sul, onde se concentram os bairros mais ricos da cidade, esse índice é ainda maior: 38% temem mais as milícias contra 20% dos traficantes, 24% de todos, e 12% da polícia.

A pesquisa foi elaborada para avaliar o impacto da intervenção federal e ouviu 843 pessoas na capital fluminense entre os dias 23 e 25 de janeiro deste ano, quando as tropas já haviam deixado o estado. Para 73% das pessoas entrevistadas, a intervenção nas forças de segurança foi aprovada, embora 54% considerem que a iniciativa não surtiu efeito no combate à violência. Apenas 20% foram contra a intervenção, e 39% disseram que a presença dos militares nas ruas da cidade teve efeito positivo no enfrentamento ao crime.

“Os números mostram um aspecto pouco debatido no que diz respeito à intervenção que é a dimensão do medo. As pessoas continuam apavoradas. Também chama a atenção o dado de que, para uma parcela significativa dos cariocas, a polícia representa um risco maior que o traficante ou o miliciano. As forças policiais, que devem ser valorizadas e protegerem a população, não têm a confiança de muitos moradores do Rio”, analisa Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Se forem levados em consideração os dados colhidos em toda a cidade, o medo dos traficantes de facções ainda supera o das milícias, com 34% e 27%, respectivamente. Outros 12% tem mais medo de policiais e 22% tem medo de todos na mesma proporção. Entre as pessoas que declaram ter mais medo dos traficantes, 39% são favoráveis à intervenção federal na cidade, 17% foram contra e 16%, indiferentes. No caso de quem teme as milícias, foram 27% a favor, 30% contra e 18% mostraram-se indiferentes.

Medo de morrer assassinado - Outros dados da pesquisa chamam bastante atenção, como o medo de os cariocas morrerem assassinados, que está presente em 87% dos entrevistados, sendo que 77% dessas pessoas revelou ter “muito medo” de que isso ocorra em algum momento. Já 92% temem ser vítima ou ter um parente atingidos por bala perdida; 91% de ser assaltado em casa, no trabalho/escola ou no transporte coletivo; 92% de ser ferido ou morto em um assalto ou roubo; 85% de ter o celular roubado; e 79% temem ter dados pessoais expostos na internet ou serem acusados de um crime.

O levantamento também questionou se os entrevistados foram de fato vítimas de algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Os dados mostram um contraste entre o medo e a realidade dos cariocas. Nesse caso, 75% dos entrevistados disseram ter ouvido barulho de tiros no período, enquanto 29% se viram no meio de fogo cruzado entre policiais e bandidos – 5% declararam terem sido vítimas ou terem um parente atingidos por balas perdidas; 15% foram assaltados ou roubados em casa, no transporte ou no trabalho/escola; 17% tiveram algum objeto de valor tomado à força em um assalto ou furto; e 20% perderam o celular em um assalto ou roubo.

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