São Gonçalo é campeão no número de tiroteios em todo o Estado do Rio

Cidade registrou 913 confrontos em 2018

Enviado Direto da Redação

Por Thuany Dossares

Em 2018, a população do Estado do Rio de Janeiro mais uma vez sofreu com a violência. De acordo com o aplicativo ‘Fogo Cruzado’, que registra tiroteios em todo o Estado, foram computados 9.651 disparos de arma de fogo durante o ano, o que dá uma média de 26 ocorrências por dia. Só a cidade de São Gonçalo, registrou 913 tiroteios durante o ano passado, enquanto Niterói teve 554 confrontos, o equivalente a quatro troca de tiros por dia na região.

O sofrimento começava com o receio de sair de casa e ficar no meio de um tiroteio ou o medo de ser vítima de uma bala perdida, até a dor de ver um familiar virar mais um número na estatística de homicídios nos relatórios da Secretaria de Segurança Pública, como ocorreu com 435 famílias da Região Leste Metropolitana.

De acordo com o ‘Fogo Cruzado’, o Jardim Catarina, em São Gonçalo, foi o bairro mais atingido por trocas de tiros na região Leste Metropolitana, composta pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito e Tanguá.

O maior bairro da América Latina registrou 97 tiroteios, seguido de 75 ocorrências em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói; 69 no Fonseca, na Zona Norte de Niterói; 66 no bairro Amendoeira, em São Gonçalo; e 62 no Barreto, também na Zona Norte de Niterói. Esses disparos fizeram 37 vítimas de bala perdida, cinco delas fatais.

Já no quesito constância de tiroteios, o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e o Barreto, em Niterói, foram as localidades que mais sofreram com confrontos incessantes com duração de duas horas ou mais, ou com intervalos curtos de até 30 minutos, segundo o laboratório de dados sobre violência.

O especialista em segurança pública, Paulo Storani, diz ter algumas ressalvas quanto aos números do aplicativo ‘Fogo Cruzado’, mas afirma que os tiroteios são uma realidade do Rio de Janeiro.

“Até hoje não ficou muito claro para mim qual a metodologia utilizada por eles para registrar os tiroteios. Mas as trocas de tiros existem, isso é uma realidade do Rio de Janeiro. Esse novo governo deveria fazer um investimento tecnológico para criar uma metodologia de monitoramento desses confrontos. Essa tecnologia já foi até usada no governo anterior, mas o serviço foi interrompido por falta de verba”, explicou.

Storani ainda acredita que o governo de Wilson Witzel será de enfrentamento à criminalidade, o que, inicialmente, pode aumentar a quantidade de tiroteios.

“Apostar no enfrentamento, é saber que inicialmente se terá aumento de troca de tiros, mas esperando que depois haja uma queda. O enfrentamento não tem que ser só nas operações que gerem confronto direto, mas sim esquematizar também ações na rota dos armamentos, de forma a desarmar o criminoso. É uma projeção de longo prazo, que terá efeitos no curto prazo”, disse.

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