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Anestor Magalhães: um delegado que fazia a diferença

Policial morreu na última terça, no dia que fez 66 anos

relogio min de leitura | Redação 03 de janeiro de 2019 - 09:48
Anestor Magalhães tinha mais de quarenta anos como profissional na área de Segurança
Anestor Magalhães tinha mais de quarenta anos como profissional na área de Segurança -

Há algumas décadas, a Polícia Civil, ainda com recursos e viaturas mais simples e os tradicionais boletins de ocorrência em papel padronizado, tinha marcantes exemplos de trabalho, dedicação e o desejo pelo cumprimento da Justiça. Um deles era Anestor da Silva Magalhães, ainda um simples inspetor de Polícia, que já fazia a diferença antes de se tornar um dos mais operacionais delegados da instituição nos últimos anos.

Anestor morreu exatamente no dia em que completaria 66 anos, na última terça-feira, de causas naturais, após complicações de uma pneumonia, no Hospital de Clínicas (HCN), no Centro de Niterói, deixando um grande vazio no cotidiano dos que o conheciam. Com problemas de saúde, ele encontrava-se de licença médica da Polícia Civil desde meados do ano passado. Com uma extensa folha de serviços prestados na área de Segurança Pública, ele estava há mais de 40 anos na Polícia Civil.

Nascido em Tenente Jardim, na divisa entre São Gonçalo e Niterói, Magalhães, ainda menino, tinha o desejo de ser policial. Foram vinte anos como Inspetor, até se tornar delegado. O policial teve passagens por mais de vinte delegacias do Estado, muitas das quais na região da Grande Niterói. E desde o início da carreira, tinha gosto pelas investigações. Gostava de ir para rua e invariavelmente, nunca tinha hora para sair quando considerava estar no caminho para resolver algum caso. Não mudou nem quando se tornou delegado.

“Nunca gostei de ficar no ar condicionado”, costumava dizer. E com essa disposição, acumulava bons resultados. Sempre que Anestor assumia alguma delegacia, os jornalistas locais ficavam felizes porque sabiam que teriam assuntos para escrever com frequência. E Anestor dava resultados. Com poucos policiais e recursos, conseguiu esclarecer dezenas de homicídios. A repressão ao tráfico de drogas também era uma de suas especialidades, com inúmeras prisões e apreensões de armas e drogas. Um dos casos de repercussão esclarecido por Anestor foi ter descoberto o envolvimento de policiais militares com traficantes da Vila Ipiranga, no Fonseca, em Niterói.

Enterro - O sepultamento de Anestor ocorreu na terça-feira, no Cemitério Municipal de São Gonçalo, no Camarão. Familiares e amigos de profissão foram dar o último adeus ao delegado.

Uma pessoa simples e dedicada à família

Pai de cinco filhas, avô de dois netos do quais possuía a guarda, Anestor não deixou a simplicidade em nenhum momento de sua vida, como conta a filha Fernanda Magalhães, de 42 anos, com quem trabalhava e convivia diariamente.

“Ele nasceu em uma família pobre e foi uma criança daquelas que as pessoas costumam dizer que são preteridas, que não teria futuro ou oportunidades na vida. Mas ele passou por cima de tudo isso, estudou, se emancipou aos 14 anos para trabalhar e ajudar a mãe em casa e trilhou todo o caminho que o faria se tornar o homem exímio”, contou Fernanda.

Além da paixão pela Polícia Civil, sua maior dedicação da vida eram as filhas. Flamenguista apaixonado, gostava também de comemorações, como a tradicional feijoada que costumava fazer no dia do aniversário, 1º de janeiro, que já era esperada pelos amigos mais chegados.

Mas, segundo Fernanda, o amor pela vida sofreu um baque irreparável quando, em 2011, foi “vítima de uma covardia” em seu ambiente de trabalho, que, na época, repercutiu na imprensa.

“Meu pai morreu mesmo no dia 29 de agosto de 2011, quando foi vítima de uma covardia, provavelmente por inveja. Lembro que ele me telefonou dizendo que estava chateado, pois pegaria um possível caso de abuso infantil e depois de ouvir o depoimento da criança e da mãe, as levaria para o IML em Itaboraí, já que não havia IML em Cachoeiras de Macacu, onde era a delegacia que estava na época. Neste dia, a corregedoria esteve na delegacia para fazer inspeção e não encontraram nada. Na volta de Itaboraí, um policial da corregedoria que havia o acompanhado até o IML, deu voz de prisão a ele, sob acusação de furto de gatonet”, relembrou.

“Foi uma covardia muito grande e a partir de então, eu vi meu pai morrer aos poucos”, contou a filha.O caso acabou arquivado por falta de prova e o delegado absolvido, mas segundo familiares, jamais foi o mesmo.

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