Ordem para explosão de casa que matou 3 em São Gonçalo veio de presídio
Proprietário da residência é um policial militar deixasse a residência

A ordem para colocar em prática o plano de explosão de uma residência no Engenho do Roçado, em São Gonçalo, na tarde do último dia 2, provavelmente partiu de lideranças criminosas de uma facção encarcerados em presídios. Informações investigadas pela polícia e chegadas ao Disque-Denúncia (2253-1188) mostram que traficantes da Favela da Linha, no Rio do Ouro, naquela região, teriam orquestrado o atentado, como forma de vingança, por não poderem mais usar a casa para atividades criminosas, após ordenarem que o proprietário, um policial militar deixasse a residência.
O policial teve que deixar a casa às pressas, com familiares, em mudança escoltada por colegas do 7ºBPM (São Gonçalo), após ter a identificação funcional descoberta pela quadrilha de traficantes, liderada por um homem identificado como Juninho ou J, do Comando Vermelho (CV).
Com a casa vazia, os criminosos começaram a usá-la para embalar drogas e dormir, mas com a intensificação das operações da polícia, foram obrigados a não ir mais ao local. Sem a presença dos invasores, houve condições para que os verdadeiros donos pudessem negociar, a prestações, o imóvel ao casal Rafael Ferreira, de 22 anos, e sua noiva, Myllena Oliveira, de 24.
Os dois, que sonhavam se casar e iniciar a vida em comum, começaram então a limpar o imóvel e prepará-lo para a futura mudança. No último dia 2, num domingo, eles estavam no local, na companhia de Maria Celia Campos, mãe de Myllena, e foram surpreendidos, em um dos cômodos, pela explosão.
Os tipos de artefatos, colocados em uma mochila, estão sendo analisados por policiais da 75ªDP (Rio do Ouro), responsáveis pelas investigações do caso.
Autorização - As informações chegadas à polícia é que os traficantes fizeram todo planejamento para cometer o atentado, após serem informados por ‘olheiros’ subordinados a eles, que o imóvel seria novamente ocupado. Como forma de vingança e achando que os novos moradores eram da família do policial, os traficantes da Favela da Linha teriam consultado as lideranças do CV encarceradas em presídios e recebido autorização para cometer o crime. As três vítimas que morreram já foram sepultadas.