Morte de policial motivou investigação que acabou com 12 PMs presos

Mercados que teriam comprado carne roubada serão investigados

Enviado Direto da Redação
As investigações que culminaram com a Operação Purificação foram feitas em ações conjuntas

As investigações que culminaram com a Operação Purificação foram feitas em ações conjuntas

Foto: Leonardo Ferraz

Por Marcela Freitas

Onze toneladas de carnes e frios levaram à cadeia 12 policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo), acusados de desvio da cargas avaliadas em mais de R$ 80 mil. Ao saber da prisão, um sargento que também seria preso na ação, acabou se matando com um tiro em um dos alojamentos da unidade. Um policial ainda permanece foragido.

As investigações que culminaram com a Operação Purificação foram feitas conjuntamente entre a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), e a 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), da Polícia Militar e tinham como objetivo cumprir 14 mandados de prisão preventiva e 55 de busca e apreensão expedidos pela Auditoria da Justiça Militar contra policiais militares lotados no 7º BPM (São Gonçalo). Após investigação conjunta, foi constatado que PMs da unidade desviaram mais de 11 toneladas de carne, após a recuperação de uma carga de frigoríficos em maio desse ano, no bairro do Boa Vista.

De acordo com informações, PMs da unidade flagraram criminosos descarregando o material roubado. Os bandidos fugiram e apenas parte da carga, cerca de 10 caixas com 180kg de carne, foi apresentada na delegacia. O crime foi descoberto a partir de outra investigação da DHNSG, que verificava a morte do cabo Eduardo da Conceição Rosa, que era do 5º BPM (Saúde), e morreu em decorrência de uma troca de tiros com ladrões de carga na BR 101.

Durante a apuração desse crime, os agentes conseguiram imagens da ação dos PMs do batalhão de São Gonçalo, que aconteceu um dia antes. Toda a dinâmica, que durou mais de três horas, foi flagrada por câmeras de segurança da rua, onde foi verificado que para desvio da carga foram usadas viaturas e até um caminhão de frete.

“Essa investigação aconteceu de forma criteriosa para que se chegasse a uma solução justa. E teve um tempo de maturação considerável para que pudéssemos dar reprimenda a quem merecia de fato. Toda a investigação foi vista e revista para que chegássemos a esse resultado”, disse o delegado Allan Duarte, informando que um dos receptadores da carga é um mercado em Inoã, em Maricá, onde os donos também estão sendo investigados.

O corregedor Assis, da 4ª DPJM fez a citação: “Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada”, do filosofo irlandês Edmund Burke, para explicar a importância dessa ação conjunta,

“Essa integração com a Policia Civil foi fundamental para esse resultado satisfatório. Nos iremos identificar os policiais, processá-los e eles serão excluídos. O 7º batalhão quase centenário, não pode mais ter policiais atuando dessa forma. A purificação hoje vai servir como um novo momento. O policial de São Gonçalo tem que sentir orgulho. Policiais desviantes não podem manchar nossa farda e o nome do 7º BPM”, afirmou.

O comandante do 7º BPM tenente coronel André Henrique, salientou que apesar do ocorrido há bons policiais em SG.

“Temos uma tropa valorosa que vem diminuindo os índices criminais. Temos realmente problemas, entretanto, a maioria trabalha de forma correta, servindo e protegendo a população”, afirmou.

Os presos são: o tenente Maikon Ewerton Santos de Almeida; os sargentos André Luís Machado da Silva, Evandro Vieira dos Santos, José Roberto Corrêa Rocha, Ubirajara da Silva Lopes e Eldo Martínez Moreira; os cabos Diego Leal Peres, Gláuber Francisco Pereira, Henrique Paulo Vieira e Leonardo Domingues; e os soldados Carlos Jorge Gouveia Luciano e Rodrigo dos Santos.

Um dos policiais acusados se matou no batalhão

Durante a coletiva de imprensa que acontecia no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, no Rio, os policiais tiveram a notícia da morte do 2º Sargento Luiz Cáudio de Araújo Pereira, que ao receber voz de prisão, tirou a própria vida. Por essa razão, a coletiva terminou de forma imprevisível.

Através da Assessoria de Imprensa, a Polícia Militar lamentou a morte do sargento.

“Essa dramática situação vivida por nós hoje é extremamente lamentável. Pois, além da infelicidade de vermos a prisão de companheiros de farda suspeitos de maus feitos, tivemos ainda um ato de desespero por parte de um deles. Que esse momento extremo nos sirva de reflexão. A corporação se solidariza com a família do policial”.

Araújo estava com 46 anos de idade e há 19 prestava serviços à PMERJ. O sargento era solteiro e não deixa filhos. A delegada titular da Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, Bárbara Lomba, afirmou que a delegacia vai apurar os fatos.

Morte motivou investigação

No dia quatro de maio desse ano, um policial militar morreu e outro foi baleado, por volta das 10h30, no Mutuá, em SG. Os policiais, que estavam à paisana, foram baleados ao serem confundidos com seguranças de um caminhão que transportava cargas das Casas Bahia. Eles só conseguiram socorro quando chegaram na rodovia BR-101 e avistaram uma viatura da PM.

De acordo com os motoristas e ajudantes do caminhão, eles seguiam pela Estrada da Covanca, próximo a um dos acessos da BR-101, quando foram abordados por pelo menos oito criminosos armados, divididos em quatro motos. Um dos assaltantes teria visto a Fiat Uno branca - onde estavam os policiais - transitando na frente do caminhão, e anunciado: ‘é escolta, é escolta’, efetuando disparos contra o veículo.

O cabo André Luiz Cordeiro Nascimento, que é lotado na 1ª UPP (Mangueirinha), do 15º BPM (Duque de Caxias), foi atingido nas costas, mas sem gravidade, e foi liberado momentos após ser atendido. Já o também cabo Eduardo da Conceição Rosa, que era do 5º BPM (Saúde), não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade.

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