Advogado acusado de mandar matar três em São Gonçalo escapa de julgamento

Advogados de defesa não compareceram ao fórum

Enviado Direto da Redação
Familiar das vítimas, estilista Beto Neves lamentou o ocorrido

Familiar das vítimas, estilista Beto Neves lamentou o ocorrido

Foto: Divulgação

Com qual objetivo, a defesa do advogado Michel Salim Saud, acusado de ser o mandante das mortes de Linete Loback Neves, Manuella Neves Boueri e Rafany Pinheiro, assassinados em agosto de 2013, na Venda da Cruz, em São Gonçalo, faltaria ao julgamento agendado para ontem, no Fórum Juíza Patrícia Lourival Acioli, no Colubandê, em São Gonçalo?! Para o estilista Beto Neves, que perdeu a mãe, a sobrinha, e um amigo, a única hipótese é a de "uma 'armação' da defesa", já que o réu, por ser advogado, está preso há cinco anos, numa 'sala de estado maior' da PM, em Niterói, onde não está sujeito às rotinas de um presídio, como o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Estado, ou o Ary Franco, em Água Santa, para onde deve ser transferido, caso seja condenado. 

"O que dizer diante de uma armação desse tamanho?! Aguardamos por anos por um julgamento para esse cidadão e no dia em que ele seria julgado, seus advogados simplesmente faltam?! Tudo que eu posso imaginar é que eles armaram para que ele continue detido num local considerado mais "leve", onde a rotina é diferente de um presídio comum. Afinal, para um advogado dessa requinte não seria legal ir para Bangu, não acha?!", Beto Neves, dono da grife Complexo B.

Frustrado pela suspensão do júri, o estilista segue com o desejo de justiça e afirma que esgotará todas as possibilidades para que o advogado Michel Salim seja julgado e condenado. "Sinceramente, estou decepcionado com tudo que vi hoje aqui. É um desleixo com a dor do cidadão que perdeu três pessoas muito queridas. Perdi o meu passado e o meu futuro, e o mandante de tudo isso continua impune, da forma que ele sempre planejou. É uma tristeza sem fim", concluiu Beto. 

A assessoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) informou que o adiamento foi a pedido da defesa, mas não tinha ciência do motivo. Em casos como esse, de ausência dos advogados de defesa, o júri pode ser adiado ou o juiz pode nomear um defensor público para defender o réu. Segundo o TJ, ainda não existe uma nova data para o julgamento.

Procurados, os advogados de defesa liderados por Nélio Machado, não responderam a solicitação de O SÃO GONÇALO sobre a justificativa da ausência no julgamento.  

Já sobre o presídio para qual o réu seria transferido em caso de condenação, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) afirmou que " informações sobre transferências não são divulgadas por questões de segurança".

Investigação do caso - De acordo com a investigação, Michel Salim teria ordenado a morte das vítimas por vingança contra a ex-mulher Rosilene Neves, que já havia registrado mais de 40 denúncias contra ele por ameaças e agressões, após o término do casamento, em 2010.

Segundo Beto Neves, a intenção do advogado era desestabilizar Rosilene emocionalmente, executando a sogra e a enteada. Já Rafany, namorado de Manuella, teria sido morto para eliminar provas, segundo a investigação.

De acordo com a perícia, Manuella levou tiros no queixo, de baixo para cima, e no olho direito. Os ferimentos de Rafany foram no supercílio e no pescoço. Já Linete levou tiros no peito e ao lado da boca.

Condenação dos executores - Em julho de 2016, a juíza Juliana Grillo El-Jaick, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, condenou Romero Gil da Rocha e Pablo Jorge Medeiros, apontados como executores do crime, a 57 anos de prisão cada um, em regime inicial fechado.

De acordo com as investigações, Romero trabalhava como segurança do advogado e Pablo foi contratado para auxiliar na morte das três vítimas.

Os dois teriam contado ainda com a ajuda de outro comparsa, identificado somente como Marcos e passaram a vigiar a rotina das vítimas após a ordem de Michel Salim, até a execução dos crimes.

No ano passado, o ex-segurança de Michel Salim morreu em decorrência da diabetes dentro da própria cela, em Bangu.

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