Instituto de Segurança divulga estatísticas inéditas sobre LGBTfobia no Rio
Em 2017, 431 registraram crimes motivados por LGBTfobia

Lançada na segunda-feira (10) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), a primeira edição do Dossiê LGBT+, estudo inédito na área de Segurança Pública no Brasil, apresenta dados sobre a violência motivada por LGBTfobia no Estado do Rio. O documento teve como fonte o banco de dados dos registros de ocorrência da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), relativos ao ano de 2017, disponibilizados pelo Departamento Geral de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (DGTIT/PCERJ).
O estudo apontou que 431 pessoas registraram crimes motivados por LGBTfobia nas delegacias do estado, ou seja, mais de uma vítima por dia, em 2017. Mais da metade dessas vítimas (55%) conhecia os autores da violência, 43,4% desses crimes ocorreram dentro de casa e jovens de 18 a 29 anos somam mais de 40% das vítimas. A violência moral correspondeu a mais da metade (51,4%) das denúncias, seguida da violência física e psicológica, ambas com 22,7%. A maior parte das vítimas era do sexo masculino (59,6%) e da cor branca (54,8%). A Zona Oeste do município do Rio de Janeiro foi a região do estado com maior número de crimes motivados por LGBTfobia.
Segundo os dados, a cidade do Rio de Janeiro concentra o maior percentual de vítimas, próximo a 55,7%, assim como a maior taxa, 3,7 por 100 mil habitantes. Com o menor número das macrorregiões do Estado, a chamada Grande Niterói que engloba os municípios de Niterói, Maricá e São Gonçalo registrou 8,6% das vítimas, porém a mesma região apresentou a segunda taxa mais elevada no Estado, de 2,2 vítimas a cada 100 mil habitantes.
Produzido em parceria com a Prefeitura do Rio, o dossiê buscou apoiar com dados a elaboração de políticas públicas voltadas ao combate da LGBTfobia, nos diversos meios sociais, além de divulgar os canais disponíveis para o encaminhamento de denúncias que possam prevenir ou combater tais ameaças ou violações.
"O material tem como um de seus objetivos dar visibilidade a este tipo de crime. Ele mostra que o Estado reconhece que este tipo de violência existe e que é um problema social. Também buscamos tentar informar a população sobre os canais de comunicação em defesa desta população", afirmou o analista do ISP, Victor Chagas Matos.