Casal atingido em explosão comprou imóvel para se casar

Vítimas seguem internadas em estado grave

Escrito por Redação 04/12/2018 07:53, atualizado em 04/12/2018 07:51
A casa ficou completamente destruída com a explosão. Dinamite pode ter sido usada no atentado
A casa ficou completamente destruída com a explosão. Dinamite pode ter sido usada no atentado . Foto: Leonardo Ferraz

Por Daniela Scaffo

Uma enorme explosão no interior de uma casa deixou três pessoas da mesma família gravemente feridas, no último domingo, no Engenho do Roçado, em São Gonçalo. Antigo dono da casa atacada por traficantes, um soldado da Polícia Militar, de 26 anos lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Formiga, no Rio, lamentou o ato criminoso e disse acreditar que o ataque foi executado para atingir seus familiares.

O PM contou que morou no local até meados de 2017, quando traficantes começaram a desconfiar de sua profissão e acabaram descobrindo que ele era policial, obrigando ele e sua família a deixarem a região.

“Aquela área não era dominada pelo tráfico. De um dia para o outro, os traficantes resolveram tomar tudo. No dia 12 de outubro os criminosos me abordaram quando eu chegava em casa, mas não me identificaram como policial naquele momento. Depois, eles cercaram a minha casa, três deles com pistola e um com fuzil, e eu tive que chamar reforços da polícia, o que acabou me identificando como policial”, explicou o PM.

Ao saber do ataque, o PM se disse surpreso e contou que foi uma covardia o que os traficantes fizeram com as pessoas. “Os vizinhos me ligaram falando que a antiga casa explodiu. Quando mandaram a foto eu fiquei sem acreditar. As vítimas já tinham sido socorridas. Eles devem ter achado que era alguém da minha família. Foi uma covardia o que eles fizeram,”, contou.

Segundo o PM, foi colocado uma mochila com explosivos no interior da casa, que acabou explodindo quando as pessoas retiravam os objetos da residência para iniciar uma faxina.

“Implantaram uma mochila, provavelmente com dinamite, dentro do quarto. Quando cheguei lá tinha um cheiro fortíssimo de pólvora. Testemunhas me relataram que há cerca de um mês, dois criminosos foram até a residência e um deles entrou na casa com algo embaixo do braço, enquanto o outro estava vigiando. Isso é algo que deva ser investigado pela polícia”, relatou.

Expulsão da família do PM - O soldado da PM contou que morava com sua família há 20 anos no local, antes de deixaram a residência. A casa, de seis cômodos, estava sendo construída aos poucos pelos pais do militar.

“Ver a casa naquela situação foi um aperto, porque meus pais compraram ali com muito sacrifício. Nada foi fácil para a gente, somos de família humilde e foi tudo com muito esforço”, disse o PM.

O PM também protestou. O comando geral da PM até agora não me prestou nenhuma assistência. Hoje pago aluguel porque o estado não me auxiliou em nada. A farda que uso representa o estado. Se o estado deixar isso passar em branco, representa que o estado está inerte”, declarou.

Casa tomada pelo tráfico - Durante quatro meses, a casa do PM foi usada pelo tráfico de drogas como boca de fumo. O fato aconteceu após os próprios traficantes expulsarem o soldado da residência.

O sonho que acabou em tragédia - O casal Myllena Oliveira, de 20 anos, e Rafael Ferreira, 19, realizava o sonho de comprar uma casa própria para morarem juntos. Segundo o soldado da PM, a residência foi vendida a prestações para eles há quase um mês. O casal estava fazendo a limpeza para a mudança, junto com a mãe de Mylena, Célia Campos, de 48. Os três estão internados no Hospital Estadual Alberto Torres (Heal), em estado gravíssimo.

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