Polícia Federal prende deputados que teriam recebido propina na gestão de Cabral
O esquema teria movimentado mais de R$ 54 milhões

Por: Thuany Dossares
A Polícia Federal realizou, na manhã de ontem, mais uma fase da Operação Lava Jato, após investigar a participação de dez deputados estaduais do Rio de Janeiro, três deles já na cadeia, em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, além de loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual. O esquema teria movimentado mais de R$ 54 milhões.
Os parlamentares envolvidos no suposto ‘mensalinho’ da Alerj são: André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Edson Albertassi (MDB), Jorge Picciani (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinícius Neskau (PTB) e Paulo Melo (MDB).
A Operação Furna da Onça é um desdobramento da Operação Cadeia Velha – deflagrada em novembro de 2017 – e contou com 200 policias federais, 35 membros do Ministério Público Federal (MPF) e 10 auditores da Receita Federal para cumprir 19 mandados de prisão temporária, 3 de prisão preventiva e 47 mandados de busca e apreensão, expedidos Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF2). Entre os alvos também estavam funcionários do Detran, assessores e auxiliares.
Segundo as investigações, a organização criminosa, chefiada pelo ex-governador preso Sergio Cabral, pagava propina a vários deputados estaduais, a fim de que patrocinassem interesses do grupo criminoso na Alerj.
Segundo as investigações, o “mensalinho” era resultado de sobrepreço de contratos estaduais e federais. De maneira ilícita, os parlamentares eram beneficiados ainda com o loteamento de cargos em diversos órgãos públicos do Estado, onde poderiam alocar mão de obra comissionada ou terceirizada. Além disso, os acusados teriam recebido propinas mensais que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil.
Os investigados devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.O nome Furna da Onça faz referência a uma sala ao lado do plenário da Alerj, onde deputados se reúnem para ter conversas reservadas, destinada às combinações secretas que resultam em decisões individuais antes das votações, momento conhecido como a hora da “onça beber água”.
O presidente da Alerj o deputado André Ceciliano (PT) afirmou que, mesmo com a prisão de sete deputados estaduais , a Casa continuará trabalhando para votar projetos essenciais ao Estado do Rio.