Estilista vive a expectativa do julgamento do acusado de mandar matar seus familiares

O triplo assassinato aconteceu em 2013, em São Gonçalo

Enviado Direto da Redação

Por: Dayse Alvarenga e Alan Emiliano 

‘Eu só quero que a justiça seja feita’

Estilista Beto Neves vive a expectativa do julgamento do acusado de mandar matar sua mãe, sua sobrinha e o marido da sobrinha

“Não consigo ter nenhum tipo de sentimento por esse homem. É como se ele não existisse. A única coisa que quero da Justiça é que levem esse assassino para Bangu”. A frase é do estilista Beto Neves, da grife Complexo B, que teve a mãe, Linete Loback Neves, a sobrinha, Manuella Neves Boueri, e o marido da sobrinha, Rafany Pinheiro, brutalmente assassinados em agosto de 2013, na Venda da Cruz, em São Gonçalo. O acusado de ser o mandante do crime é o ex-cunhado de Beto, o advogado Michel Salim Saud.

Durante entrevista exclusiva a O SÃO GONÇALO, o estilista relatou os sentimentos no dia do crime e um pouco do que mudou cinco anos após o triplo assassinato.

“Tínhamos um compromisso marcado, e eles não chegavam aqui na minha loja (Lapa, Rio). Comecei a ligar pra eles por volta de 8h30 e não tive resposta. Então fui até a casa deles, em São Gonçalo. Tenho a imagem dos três em cima de uma poça de sangue na minha cabeça assim que eu cheguei na casa, por volta de 11h, e creio que ela nunca vai sair da minha mente. Lembro que tirei o corpo da Manuella de perto e tentei a reanimar, mas já era tarde. Todos já estavam mortos há mais de duas horas. Meu único pedido é que esse homem receba a pena máxima e vá para Bangu. Assim, a dor será amenizada de forma mínima”, afirmou Beto Neves.

Questionado sobre a sua relação com as três vítimas, o estilista se emocionou e, com olhos marejados de lágrimas, relatou que o seu passado e o futuro foram destruídos pelo crime.

“Manuella era como se fosse a minha filha e tínhamos vários planos juntos. Ela confiava em mim e eu tinha plena confiança nela. Éramos muito amigos. Já a minha mãe sempre foi a minha luz e carregava todos os ensinamentos que ela me passou junto de mim. E o Rafany era a paixão da ‘Manu’ e, como eu queria a felicidade dela, nos aproximamos bastante. Era uma pessoa muito querida por toda a família”, afirmou o estilista.

Cinco anos após o crime, OSG também foi até a rua onde as vítimas moravam e conversou com vizinhos, que relataram os seus sentimentos em relação ao que aconteceu e à família morta.

“Eram todos muito queridos, uma vez que Manuella e Rafany vinham aqui na minha casa com frequência. Linete era uma amiga nossa das antigas e uma pessoa muito especial. Todos ficamos muito chocados com o que aconteceu e demorou bastante para a ‘ficha cair’. Não temos a dimensão exata da dor do Beto. Creio que é como se arrancassem grande parte do corpo dele”, afirmou um morador antigo do bairro, que preferiu não se identificar, com medo de represálias.

Acusado de ser o mandante será julgado em dezembro

O principal acusado de ordenar a morte das três vítimas, o advogado Michel Salim Saud, ex-marido de Rosilene Neves, respectivamente, filha e mãe das vítimas Linete e Manuella, está preso no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Niterói, e aguarda o seu julgamento, marcado para o dia 11 de dezembro, no Fórum Juíza Patrícia Lourival Acioli, no Colubandê, em São Gonçalo.

Ainda segundo a investigação dos crimes, Michel Salim teria ordenado a morte das vítimas por vingança contra a ex-mulher, que já tinha mais de 40 denúncias contra o advogado por ameaças e agressões, após o término do casamento, em 2010.

Segundo Beto Neves, a intenção do advogado era desestabilizar Rosilene emocionalmente, executando a sogra e a enteada. Já Rafany, namorado de Manuella, teria sido morto para eliminar provas, segundo a investigação.

De acordo com a perícia, Manuella levou tiros no queixo, de baixo para cima, e no olho direito. Os ferimentos de Rafany foram no supercílio e no pescoço. Já Linete levou tiros no peito e ao lado da boca.

Os disparos feitos contra Rafany e Linete foram à curta distância. Já Manuella levou tiros à queima-roupa.

EXECUTORES FORAM CONDENADOS EM 2016

Em julho de 2016, a juíza Juliana Grillo El-Jaick, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, condenou Romero Gil da Rocha e Pablo Jorge Medeiros a 57 anos de prisão cada um, em regime inicial fechado.

De acordo com as investigações, Romero trabalhava como segurança do advogado e Pablo foi contratado para auxiliar na morte das três vítimas.

Os homens teriam contado ainda com a ajuda de outro homem, identificado somente como Marcos e passaram a vigiar a rotina das vítimas após a ordem de Michel Salim.

No ano passado, o ex-segurança de Michel Salim faleceu em decorrência da diabetes dentro da própria cela, em Bangu.

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