Uma 'tropa canina' treinada para vários tipos de ações
Batalhão da PM conta, atualmente, com 70 cães de diversas raças

Por Thuany Dossares
O Batalhão de Ação com Cães (BAC) conta atualmente com 70 cães, entre machos e fêmeas, das raças Pastor Alemão, Pastor Belga de Malinois, Pastor Holandês, Rottweiler e Ladrador, que exercem as funções de faro de armas e drogas, intervenção tática, controle de distúrbios civis, busca e captura de pessoas homiziados e patrulha de operações com cães.
Para serem cães policiais, os animais são selecionados ainda quando filhotes, em suas primeiras semanas de vida. O tenente Felipe Rodrigues conta que mesmo ainda tão bebês, em testes simples é possível notar determinadas aptidões do cão que poderão ser usadas no serviço policial.
"O teste de Campbell é um teste internacional, não foi a gente que criou, onde a gente consegue observar características comportamentais do animal. Na terceira semana de vida, mais ou menos, a gente já começa a escolher os filhotes. Por exemplo, se você fizer carinho no cão e ele ficar de barriga para cima, já mostra que é um cão submisso, então não serve tanto para o serviço. Se soltar um estalinho próximo aos cães, vai ter cão que com o barulho vai se assustar e ir pra cima de você, vai ter cão que vai para cima do estalinho e vai ter cão que vai ficar indiferente. As mesmas reações vão acontecer se você abrir um guarda-chuva na frente do animal. Na verdade a seleção começa na matriz, no pai e na mãe, mas as vezes mesmo com essa seleção, alguns cães não se adaptam e eles são doados", disse.
O oficial ainda explica que o adestramento dos cães é dividido em fases e com aproximadamente um ano e meio de vida os cães já começam a participar das operações.
"Assim que os médicos veterinários autorizam, nós já começamos a fazer um trabalho de socialização dos cães e de socialização das características do cão. O objetivo é dar confiança ao animal, além de tornar o treinamento algo prazeroso. O cão não entende como um treinamento, mas sim como uma brincadeira", disse o oficial.
Reprodução com animais de fora- O Estado não compra cães e os policiais buscam animais de fora do batalhão para fazer a reprodução.
"A gente aqui tem o cão que tem um drive que é a característica dele direcionada para o tipo de serviço que eu quero, que pode ser armas e drogas, para busca e captura ou para a parte de defesa. Pego esse macho ou fêmea e com essa característica procuro um cão com essas características e ocorre esse cruzamento, que pode ser feito com cães de fora do batalhão. A gente não compra os cães e nem pagamos por nada, mas fazemos um acordo. Poe exemplo, se tiverem oito filhotes na ninhada, pegamos quatro e a pessoa fica com quatro. Nunca fazemos cruzamento interno para evitar problemas genéticos", esclareceu o tenente.
O BAC conta com cinco veterinários com especialidades como cardiologia, ortopedia, bem estar animal e reprodução assistida. Essa última especialização permite o batalhão a congelar o sêmen ou óvulo do cão para fazer reprodução futuramente.
'Aposentadoria' após oito anos de serviços - Todos os cães prestam serviço para a Polícia Militar até, no máximo, oito anos de idade, dependendo das condições de saúde de cada animal. Ao alcançar essa idade, eles ganham sua aposentadoria e são adotados.
"Nós as vezes acabamos pegando os cães, mas nem sempre podemos por várias questões, como o ambiente em que moramos, por exemplo, se já temos outros cães, etc. Procuramos primeiro direcionar para o nosso público interno e se não conseguirmos, divulgamos nas redes sociais", falou Felipe Rodrigues.
Em caso de doações externas, os PMs do BAC tomam uma série de cuidados para que os cães não sejam explorados ou mal tratados por seus novos donos.
"Todos cães já saem castrados, para evitar que as pessoas queiram tirar filhote para vender por serem cães que eram da polícia.
Os cães são treinados para exercerem determinada até a hora dele ir embora, então não podemos dar pra qualquer pessoa, porque se a pessoa quiser usa-lo para tal finalidade, ela vai conseguir. Outra coisa, aqui eles comem duas vezes por dia, tem tratamento médico, tem liberdade, contato com humanos. O cão precisa de atenção. Para a gente não doar para alguém que não vai ter cuidado, preferimos deixar aqui mesmo no batalhão", esclareceu o tenente.