Tropa canina coloca a polícia 'na cara do gol'
Cães recebem um ano de treinamento antes de irem para as ruas

Por Thuany Dossares
O Batalhão de Ação com Cães (BAC) é uma das unidades subordinadas ao Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar. O BAC é acionado quando o policiamento convencional não surte efeito e se faz necessária uma estrutura da polícia com maior poderio bélico, número de homens, e com treinamentos específicos para atuar em determinadas situações. Só neste mês de setembro, os cachorreiros, como também são chamados, foram acionados para atuarem duas vezes no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e os cães farejadores auxiliaram os PMs a apreender mais de 1,2 toneladas de drogas e 400 munições de pistola.
Um dos cachorros que auxiliou o BAC a encontrar os entorpecentes recentemente no Salgueiro, foi o Apollo. Ele é um Pastor Belga de Malinois, que está com sete anos e prestes a se aposentar. Em sua carreira policial, Apollo localizou cerca de 12 toneladas de drogas em diversas comunidades do Rio de Janeiro e só em São Gonçalo ele encontrou mais de uma tonelada.
Outro cão do BAC que participou das últimas operações no município gonçalense foi a cadela da raça labrador, Nina. Em sua trajetória, Nina sozinha apreendeu três toneladas de material entorpecente e 230 armas de fogo.
Cães recebem um ano de treinamento antes de irem paras as ruas
Os cães de faro que ‘servem’ no BAC começam a ser adestrados para a função com poucos meses de nascidos, e passam por cerca de um ano de treinamento antes de serem liberados para participarem de operações nas ruas.
“Um dos treinamentos feitos é colocar o cheiro das drogas, seja maconha, cocaína ou crack, e das armas e explosivos em caixas. Por exemplo, usamos quatro caixas e em três delas escrevemos neutro, que são caixas vazias e numa delas nós colocamos o material a ser farejado. Depois vamos trocando as caixas de lugar, para os cães não irem no mesmo lugar pela memória fotográfica e sim pelo faro. Quando eles localizam a ‘caça’, dão um sinal passivo e ficam parados de frente para ela. O sinal passivo é necessário porque no caso do cão detectar o explosivo, ele não pode identificar o artefato e fazer algum sinal mais brusco, que coloque em risco a sua vida e a do policial, causando uma explosão”, explicou o tenente Felipe Rodrigues, um dos adestradores dos animais.
Uma dupla treinada para conter distúrbios
O controle de distúrbios urbanos é outro tipo de ação em que os cães do BAC são utilizados. São eventos como manifestações e aglomerado de pessoas, como em estádios. No entanto, é raro ver os cães em ação ou em ataque para conter algum manifestante.
O rottweiler Bruce e Izzy, uma cadela da raça pastor belga de Malinois, são exemplos de cães que atuam nesse tipo de operação. De acordo com o adestrador deles, são animais concentrados e dóceis, mas quando necessário, se tornam altamente capazes de imobilizar uma pessoa.
“A principal vantagem de se empregar os cães, é ter um meio para se neutralizar uma ocorrência sem precisar usar um armamento não letal. Então a gente tem os benefícios do fator psicológico e a baixa letalidade do cão. Hoje, o foco do batalhão é o faro de armas e drogas, mas eventualmente, atuamos no policiamento ostensivo, seja no controle de manifestações ou em estádios. Mas, Graças a Deus não tem havido necessidade de utilizarmos os cães para isso. O trabalho ostensivo da tropa tem sido eficiente. Até porque a mordida de um cão neutraliza, mas também pode incapacitar uma pessoa”, contou o tenente Felipe.