Mãe se desespera ao ter seu filho executado em São Gonçalo
Corpo foi encaminhado para o IML e deverá ser liberado para o sepultamento hoje (29)

“Se eu pudesse, fazia ele levantar dali e entregava para os policiais levarem ele preso. Mas eu não posso. Eu não posso fazer isso e agora só fico com a dor da perda. Mostrei o caminho e fiz tudo que pude para ensinar que essa escolha só teria dois futuros: cadeia ou morte. Infelizmente ele morreu. Se ele fosse preso, seria sacrificante, mas seria muito menos doloroso”.
Sentada, com os olhos marejados, e olhando para o filho morto, com três tiros na cabeça, essas foram as palavras da ‘faz tudo’ Ângela Teixeira de Marins, de 38 anos, que criou três filhos sozinha, com a renda de seus trabalhos braçal como pedreira, bombeira encanadora e servente.
Ângela estava dentro de casa, no Campo Novo, em São Gonçalo, quando um mototaxista avisou, no início da manhã de ontem, que seu filho, Leonardo de Marins Teixeira, conhecido como Passarinho, de 23 anos, estava morto, na Rua Sargento Lindomar, no mesmo bairro.
Leonardo estava na varanda de uma marcenaria, onde os criminosos invadiram e ocupavam para vender drogas durante a madrugada, depois que o estabelecimento fechava.
“Eu sabia que ele estava no tráfico. Ele disse que ia entrar para fazer o aniversário da filha. Eu mostrava o caminho certo, sempre dei exemplo e nunca desisti dele, porque mãe não desiste dos filhos. Eu hoje recebo pensão, mas sempre trabalhei pesado, faço o necessário para manter minha casa e meus filhos. Mas ele escolheu esse caminho e o fim está aí”, desabafou.
De acordo com informações repassadas à polícia, Leonardo estava com um ‘parceiro’ de crime no local onde estavam instalando uma ‘boca de fumo’. Ainda conforme informações, Passarinho ficou acordado para o parceiro dormir, e quando chegou a hora dele dormir, minutos depois de pegar no sono, o próprio comparsa teria efetuado os disparos.
Entre os lençóis que forravam o chão e servia como cama, Passarinho estava caído de lado, com a marca na cabeça.
O comparsa, e apontado como autor do crime, fugiu do local com as drogas e a arma da boca de fumo.
Sozinha, e sempre olhando para o corpo do filho, Ângela falou que Leonardo deixou uma filha, de 3 anos, esposa e dois irmão. Questionada do porque estar sozinha nesse momento, Ângela foi precisa: “Sempre foi só eu para tudo. Sempre fiz tudo pelos meus filhos e só eu posso agir agora. Sempre foi eu e Deus e será assim também nesse momento”, disse.
Agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo foram ao local do crime e periciaram o corpo de Leonardo. O cadáver foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) e deverá ser liberado para sepultamento ainda hoje.