Jovem morto em operação da PM é sepultado em São Gonçalo
A morte aconteceu na noite de sábado (25)

Por Marcela Freitas
Com gritos pedindo justiça, fogos e manifestação de motocicletas, foi sepultado, na tarde de ontem, o adolescente Antonio Vitor Vicente Neves, 14 anos, morador da Trindade, em São Gonçalo, que foi morto a tiros, no último sábado, no Mutuaguaçu, durante operação de policiais do 7º BPM (São Gonçalo) com apoio de agentes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), com objetivo de identificar e prender os suspeitos de matar o cabo da PM, Guilherme da Costa Penetra, de 32 anos. As operações seguiam na manhã de ontem.
Outros dois amigos de Vitor também foram atingidos pelos disparos. Um deles era barbeiro, identificado como Alexandre Lucas Santana Guimarães, de 19 anos, que morreu no domingo, no Hospital Estadual Alberto Torres, e o outro, o militar do Exército Luan Rocha, de 19 anos, que está internado no Hospital Central do Exército em Benfica e não corre risco de vida.
Segundo a família de Vitor, o adolescente, teria ido até a casa da namorada, no Mutuá, para levá-la a uma festa de aniversário perto da casa onde ele morava com o pai e a irmã. Chegando ao bairro, perto de onde ocorreu a morte do PM horas antes, um dos amigos de Vitor disse que iria em casa tomar banho.
“Vitor foi com Lucas e com Luan para esperar que Lucas acabasse de se arrumar. A namorada dele chegou a falar para meu primo ter cuidado porque a polícia estava fazendo operação desde cedo por perto. Eles foram, cada um em sua moto. A moto de um deles estava sem o cano de descarga, fazendo barulho. Os policiais estavam em uma casa em construção e devem ter se assustado com o barulho”, disse o primo da vítima, o metalúrgico Wanderson Santana, de 31 anos.
Outro tio de Vitor, o motorista de carreta Adenir da Cruz, 43, ainda explicou que, no momento que os jovens passaram pelo local, não estava acontecendo nenhum tiroteio.
“Quando chegamos à delegacia, na 72ª DP (Mutuá), os policiais nos informaram que escutaram disparos e que foram averiguar e depois encontraram os meninos já caídos no chão. Mas os próprios moradores do Mutuaguaçu disseram que os policiais atiraram no momento em que meu sobrinho e seus amigos passaram com as motos”, explicou.
A tia de Vitor, Adiléia da Cruz, 41 anos, disse que o jovem estudava em uma escola estadual do bairro e trabalhava no Lava Jato, onde recebia R$ 100 por semana, para pagar o celular Iphone 6 que havia adquirido de um tio.
“A mãe de Vitor faleceu há dois anos e ele morava com o pai. Nossa família é muito unida e sempre acompanhávamos a criação dele. Ele era um menino ótimo e muito esforçado. Trabalhava para pagar o celular que sumiu” disse a tia dele.
O sepultado do jovem aconteceu no Cemitério de São Miguel. Durante a manifestação no local, a PM foi acionada e um carro do BPchoque que passava pelo local foi hostilizado pelos presentes. Policiais da 72ª DP (Mutuá) aguardam a recuperação de Luan para ouvi-lo.