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Jovem morto em operação da PM estava indo se arrumar para festa, diz família

Um amigo de Vitor também morreu na ação

relogio min de leitura | Redação 27 de agosto de 2018 - 11:03
Vitor Vicente estava em sua moto quando foi atingido
Vitor Vicente estava em sua moto quando foi atingido -

Por Daniela Scaffo

"Meu primo era uma criança tranquila, que estudava e trabalhava em um lava-jato porque ele amava comprar adereços novos para a moto dele. O prazer dele era pilotar aquela moto". A declaração é do primo de Vitor Vicente Neves, de 14 anos, morto no Mutuaguaçu, em São Gonçalo, durante operação de policiais do 7º BPM (São Gonçalo) com apoio de agentes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) com objetivo de identificar e prender os suspeitos de matar o cabo da PM, Guilherme da Costa Penetra, de 32 anos.

Outros dois amigos de Vitor também foram atingidos pelos disparos. Um deles era barbeiro, identificado como Lucas, e também menor de idade. O outro, o único maior de idade, militar do Exército. 

Segundo a família de Vitor, o adolescente, que morava na Trindade, teria ido até a casa da namorada, no Mutuá, para levá-la a uma festa de aniversário perto da casa onde ele morava com o pai e a irmã. Chegando ao bairro, perto de onde ocorreu a morte do PM horas antes, um dos amigos de Vitor disse que iria em casa tomar banho.

"Vitor foi com Lucas e com Luan para esperar que Lucas acabasse de se arrumar. A namorada dele chegou a falar para meu primo ter cuidado porque a polícia estava fazendo operação desde cedo por perto. Eles foram, cada um em sua moto. A moto de um deles estava sem o cano de descarga, fazendo barulho. Os policiais estavam em uma casa em construção e devem ter se assustado com o barulho", disse o primo da vítima, o metalúrgico Wanderson Santana, de 31 anos. 

Parentes de Vitor ainda disseram que moradores da localidade contaram que, no momento que os jovens foram atingidos, os policiais ordenaram que todas as pessoas que estavam na rua entrassem em suas casas e não saíssem. Os meninos foram socorridos com a própria viatura do BPChoque para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê.

Momentos depois de dar entrada na unidade de saúde, Vitor não resistiu aos ferimentos. Já Lucas morreu no final da manhã de domingo. O soldado do Exército foi transferido para uma unidade de saúde do Rio. 

"As casas no local onde Vitor e os amigos foram baleados estão furadas, cheias de tiros. As cápsulas foram todas recolhidas e os celulares deles sumiram. Não foi encontrado nada com eles, nem arma e nem drogas. Vitor sempre teve moto e o prazer dele era empinar e fazer o giro 360º, que ele tinha acabado de aprender. Ele trabalhou o dia todo no sábado e ficou durante a tarde na minha casa. Só saiu para ir à casa da namorada", enfatizou um tio de Vitor, o comerciante Fábio Vieira, 41.

Um outro tio de Vitor, o motorista de carreta Adenir da Cruz, 43, ainda explicou que, no momento que os jovens passaram pelo local, não estava acontecendo nenhum tiroteio. 

"Quando chegamos à delegacia, na 72ª DP (Mutuá), os policiais nos informaram que escutaram disparos e que foram averiguar e depois encontraram os meninos já caídos no chão. Mas os próprios moradores do Mutuaguaçu disseram que os policiais atiraram no momento em que meu sobrinho e seus amigos passaram com as motos", explicou. O corpo de Vitor será enterrado hoje (27), às 12h, no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo. 

Nas redes sociais, amigos lamentaram a morte de Vitor. "Seu único crime era ser apaixonado por duas rodas", dizia uma publicação. "Meu Deus, hoje todo mundo chora a perda de uma criança. Um menino lindo. Nunca será esquecido. De uma família linda, bem criado. Infelizmente se foi deixando muitas saudades e tristeza", dizia outra postagem.

O barbeiro também recebeu homenagens no Facebook. "Começou junto comigo na barbearia. Desde baixo nesse ramo da profissão e agora se encontra com Deus. Vai deixar saudades meu parceirote (sic), descanse em paz".

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que policiais do 7º BPM (São Gonçalo) e do Batalhão de Choque (BPChq) realizaram operação na comunidade Buraco da Cobra durante todo o sábado. No entanto, não responderam, especificamente, sobre as mortes dos menores e do militar do Exército baleado. As ocorrências foram registradas na 72ª DP (Mutuá).

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