São Gonçalo é o 2º município em números de tiroteios da Região Metropolitana

Informação é do aplicativo e portal Fogo Cruzado

Enviado Direto da Redação
Segundo dados do aplicativo Fogo Cruzado, o nº de tiroteios na cidade dobrou de 2017 para 2018

Segundo dados do aplicativo Fogo Cruzado, o nº de tiroteios na cidade dobrou de 2017 para 2018

Foto: Divulgação


Segundo o aplicativo e portal Fogo Cruzado, São Gonçalo foi segundo município em número de tiroteios da Região Metropolitana, de fevereiro a agosto deste ano, com 507 registros. Das cinco cidades que compõem o levantamento, Niterói está quarto lugar, com 274. Os demais no ranking são: Rio (2.887), Belford Roxo (382) e Duque de Caxias (193), respectivamente primeiro, terceiro e quinto. Se compararmos o mesmo período de 2017, São Gonçalo e Niterói ocupavam a mesma posição do ranking.

Ainda em relação à comparação dos períodos pesquisados, outro dado alarmante: o índice dobrou em São Gonçalo e Niterói. De fevereiro a agosto do ano passado, foram registrados 256 e 124 tiroteios nas duas cidades, respectivamente. Em 2017, excetuando Rio, São Gonçalo e Niterói e Caxias, apenas Belford Roxo não constava no ranking dos cinco primeiros colocados de tiroteios na Região Metropolitana.

Outro levantamento -
O aplicativo fez um levantamento ainda dos 10 bairros de São Gonçalo e Niterói, com mais tiroteios, nos últimos dois anos, ou seja, de julho de 2016 a 2018. O líder da estatística é o Jardim Catarina, com 137 tiroteios registrados no levantamento, seguido por Santa Rosa (112), Fonseca (109) e Barreto (72). Aparecem na sequência ainda Engenhoca, Amendoeira, Jóquei, Icaraí, Salgueiro e São Francisco.

Histórico - O Fogo Cruzado foi criado em 2016, através de uma indagação da jornalista Cecília Oliveira, referente a feridos por bala perdida e incidência de tiroteios na cidade do Rio.

Assim nasceu a iniciativa em parceria com a ONG Anistia Internacional, dentro da campanha: “A violência não faz parte desse jogo” promovida pela ONG.

Desde então, os levantamentos têm se tornado fonte para imprensa e pesquisadores que estudam a Segurança Pública. A partir deste ano, a gestão do trabalho passou para o Instituto Update.

A plataforma digital, que pode ser baixada no celular ou pelo endereço eletrônico www.fogocruzado.org.br, divide os bairros por categorias de tiroteio: com vítimas fatais, feridos, sem vítimas e múltiplos tiroteios . Os dados são atualizados e com uma análise de dados com confrontação de fontes.

“Meu trabalho é garantir a consistência das nossas bases de dados e das inúmeras informações que acumulamos. A partir daí, produzimos os relatórios de dados, bem como os recortes específicos demandados pela imprensa, por pesquisadores e poder público”, explicou a gestora de dados do Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, informando ainda que o trabalho foi expandido para Recife, em Pernambuco.

*Colaborou Bruna Sotero (Estudante de Segurança Pública da UFF)

Sociólogo elogia o aplicativo- Para o sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório da Análise da Violência da Uerj, esse tipo de serviço ofertado pelo Fogo Cruzado é uma importante ferramenta capaz de informar à população sobre as áreas de confronto.

“Acho que o Fogo Cruzado e outros aplicativos que surgiram tiveram muito impacto na difusão de informações sobre violência. Antes, tínhamos registros de casos isolados ou era preciso esperar dados oficiais que demoraram, no mínimo, um mês para serem divulgados. Agora, esses aplicativos oferecem uma resposta mais rápida e também provocam uma reação mais rápida por parte da sociedade, especialmente em áreas esquecidas. Mas como esses aplicativos dependem de denúncias individuais e outros tipos de levantamentos acabam não substituindo as informações oficiais mas são complementares”, explicou o pesquisador, autor do livro “Os Donos do Morro”, sobre as consequências das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas cariocas.


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