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Centro espírita é atacado e tem imagens destruídas em Niterói

Crime aconteceu no sábado, no Fonseca

relogio min de leitura | Redação 30 de julho de 2018 - 07:12
A mãe de santo Tânia de Oya será acompanhada pelas secretarias de Estado e do município
A mãe de santo Tânia de Oya será acompanhada pelas secretarias de Estado e do município -

A Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Enfrentamento a Intolerância Religiosa (Codir) está acompanhando o ataque sofrido pela Casa Ilê Axé Oyá Onira, um centro espírita de candomblé, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói, que foi alvo de intolerância religiosa e teve imagens de orixás quebradas na madrugada do último sábado.

Na tarde de sábado, o Subsecretário da Codir, Gilmar Hughes, esteve na 78ª DP (Fonseca), onde registrou o caso como intolerância religiosa com os proprietários do espaço. Ele contou que, desde 2013, a capoeira, a umbanda e o candomblé são considerados Patrimônios Culturais Imateriais de Niterói.

“Consideramos esse ataque um retrocesso e desrespeito. É como rasgar a Constituição. Vamos acompanhar de perto este caso. Estamos em busca de câmeras que mostrem esse ataque sofrido. A senhora que cuida desta casa está há mais de 20 anos no local e está muito triste com esse ocorrido. Pelo que soubemos por moradores, a intolerância teria sido praticada por evangélicos que, enquanto quebravam as imagens, falavam palavras pentecostais”, disse Gilmar, acrescentando que este tipo de crime é inafiançável e pode variar de três a cinco anos de prisão.

A Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) também colocou-se à disposição da mãe de santo oferecendo assistência jurídica e psicossocial à vítima. A SEDHMI também está acompanhando o caso na delegacia. Além disso, a equipe técnica da secretaria marcará para a próxima semana um atendimento presencial com a representante do terreiro, Mãe Tânia de Oya, Tânia Rodrigues.

Em agosto do ano passado, a SEDHMI criou o Disque Combate ao Preconceito, canal voltado para receber denúncias de intolerância religiosa, racismo, xenofobia e outros tipos de preconceito. O Disque funciona no telefone (21) 2334-9551.

Recordando – Um frequentador da Casa passou em frente ao templo, na Rua Oscar da Fonseca, por volta das 10h30 do último sábado, e viu as estátuas no chão. Ele entrou em contato com a mãe de santo, que foi até o local e viu que havia quebrado as imagens dos orixás Exu, Oxóssi e um pilão que simboliza Xangô.

“As imagens ficam numa soleira em cima da porta do centro, ficam no alto. Como não existe sinal algum de arrombamentos, acreditamos que alguém, pelo lado de fora, tenha pegado algum cabo de vassoura, ou coisa do tipo, para jogar as imagens no chão”, explicou um filho de santo.

O caso foi registrado como intolerância religiosa na 78ª DP (Fonseca) e a Polícia Civil foi até o local para realizar perícia técnica e também irá analisar imagens de câmeras de segurança da rua para tentar identificar o autor ou autores do crime.

“Nunca sofremos nenhum tipo de preconceito aqui, essa foi a primeira vez. Acreditamos realmente que tenha sido intolerância religiosa porque é uma rua residencial e não aconteceu nada de anormal na rua além disso. Ficamos muito tristes, a mãe de santo está extremamente abalada. Fomos até a delegacia para registrar o acontecimento e agora vamos esperar o que será feito pela polícia”, finalizou.

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