Preso assassino de produtor

Arlindo procurou a redação de O SÃO GONÇALO para explicar porque matou o produtor cultural
Foto: Leonardo FerrazPor Renata Sena
Quinze dias depois de confessar ter matado, com uma facada, o produtor cultural e bailarino Geraldo Cavalcante de Oliveira, conhecido como Geraldo Laclau, de 51 anos, através de uma entrevista exclusiva para O SÃO GONÇALO, o eletricista Arlindo Santos Viana Júnior, de 24 anos, acabou preso numa clínica de reabilitação para dependentes químicos, no último sábado, em Maricá. Segundo agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), contra ele foi cumprido um mandado de prisão temporário de 30 dias, expedido pela 3ª Vara Criminal de Niterói.
Policiais da Divisão de Homicídios, responsáveis pelas investigações, identificaram o acusado através de impressões digitais encontradas na faca do crime. Ele recebeu intimação e na delegacia, confessou a morte. Na manhã seguinte, no dia 14 de março, Arlindo procurou a redação de O SÃO GONÇALO e confessou detalhes dos últimos momentos com Laclau.
O eletricista, que também é lutador de várias artes marciais, contou que a discussão entre ele e Laclau começou por causa de uma declaração do jovem sobre largar o vício.
“A gente usava uma faca para dividir a cocaína que estávamos consumindo em um prato e, no meio da discussão, ele veio para cima de mim. Não sei o que ele ia fazer. Estávamos muito drogados e não tínhamos controle dos nossos atos. Tomei a faca e, com o cabo, acertei a cabeça dele e ele caiu. Nesse momento, dei uma facada em suas costas. Na hora, não pensei em nada”, contou o jovem, durante a entrevista.
No entanto, apesar de justificar o crime pelo uso excessivo da cocaína, Arlindo já esperava o momento de sua prisão. “Nunca roubei ou fiz mal a alguém antes. Eu sou um dependente químico e posso garantir que se eu estivesse ‘careta’, nada disso teria acontecido. Sei que vou ser preso e não vou fugir disso. Nunca pensei em fugir. Mas naquele momento, não conseguia pensar em nada. Saí da casa e não sabia se ele estava vivo ou morto”, declarou.
O réu confesso afirmou que quando o efeito da droga foi passando, ele procurou ajuda e foi para uma clínica, onde ficou por cinco dias. “Depois disso, não usei mais. Sinto vontade a todo o momento, mas tem muita coisa acontecendo na minha cabeça. Sinto que se voltar a consumir, vai ser pior”, declarou. Internado pela família em uma clinica de reabilitação em Maricá, ele aguardou lá até o momento da prisão.