Família de comerciante que foi morto no Pita pede por justiça
Crime aconteceu na noite do último dia 12

Por Renata Sena
Três meses depois de realizarem o sonho de inaugurar um comércio familiar para que pai, mãe e filho trabalhassem unidos, a família de Lúcio Flávio Pereira de Rezende, de 37 anos, que foi assassinado dentro de seu estabelecimento, enquanto trabalhava, no final da noite do dia dos namorados, ainda não sabe como recomeçar a vida e reconstruir o sonho.
Quinze dias depois da fatídica noite em que seu marido levou um tiro na sua frente, a esposa de Lúcio ainda não conseguiu reabrir o comércio, sonhado e idealizado por ambos, no Pita, em São Gonçalo. Após um mês de obras, muitas economias investidas e um ‘caminhão de planos’ estacionado no local, o estabelecimento foi como um ‘sonho’ por três meses, até que na noite do dia 12 de junho, um assassino disfarçado de cliente, transformou tudo num pesadelo.
“Onze anos de casamento e hoje vivo com essa dor. Investimos economias de anos, rescisão trabalhista e até um terreno vendemos para que nosso sonho virasse realidade. Era o sonho dele, trabalhar junto com a família e manter todo mundo perto. Trabalhávamos eu, ele e nosso filho mais velho. Os dois menores ficavam no cantinho do comércio, brincando. Sempre estávamos juntos e hoje realmente parece que eu to vivendo um grande pesadelo e não tenho forças para acordar”, desabafou a viúva, com a voz embargada e secando as lágrimas que teimavam em escorrer.
Com grande dor, a esposa de Lúcio relembrou de como o crime aconteceu.
“A gente tinha trabalhado o tempo todo e já estava quase na hora de fechar quando ele veio pagar. Perguntou se dez reais pagava a conta que custava R$12. Perguntei ao Lúcio e ele deixou, pois já estávamos fechando. Depois disso, o homem queria que a gente vendesse as cervejas da geladeira fiado, dizendo que voltaria depois para pagar”, relembrou.
Ao ser informado que não poderia levar as cervejas sem pagar, o assassino tentou iniciar uma confusão. Contudo, Lúcio tentou acalmar o homem, na tentativa de evitar brigas no local.
“Minutos depois ele voltou já armado e com muito mais raiva. Ameaçando e humilhando o Lúcio e uns clientes que estavam lá. Ele chegou a apertar o gatilho contra um cliente, mas a arma não disparou. Ele efetuou várias coronhadas contra esse mesmo cliente e depois colocou o Lúcio de joelhos. Meu marido pediu clemência e disse que era pai de família, mas o assassino deu um tiro no meu marido”, disse, já sem segurar as lágrimas, a mulher que chegou a socorrer o marido.
A dor da comerciante fica exposta diariamente, já que ainda precisa explicar para os filhos a ausência do pai.
“Meu filho de sete anos já me pediu para abrir o caixão do pai para ele poder dormir com ele. É como se eu tivesse uma ferida que todos os dias alguém aperta. A dor parece não ter fim e eu não vejo caminho para recomeçar”, contou.
O caso está sendo investigado pelos agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, que já identificaram o criminoso e trabalham para localizá-lo.