Comerciante se nega a vender fiado e é assassinado no Pita

Crime aconteceu na noite de terça-feira

Escrito por Redação 14/06/2018 07:02, atualizado em 14/06/2018 07:02
O comerciante foi executado com um tiro na cabeça, após ter sido obrigado a entregar aliança
O comerciante foi executado com um tiro na cabeça, após ter sido obrigado a entregar aliança . Foto: Alex Ramos

Por Daniela Scaffo

O sonho de montar uma lanchonete própria para trabalhar com a família se tornou pesadelo para os parentes do comerciante Lúcio Flávio Pereira de Rezende, de 37 anos. O homem foi assassinado, durante a madrugada de ontem, apenas dois meses após inaugurar o local, no Pita, em São Gonçalo.

Segundo a mulher de Lúcio, havia cerca de oito pessoas na lanchonete, que fica na Rua Doutor Pio Borges, no momento do crime, que aconteceu por volta de 2h. Ela contou que a lanchonete abria diariamente 12h e só fechava por volta de 3h.

“Ontem, foram vários casais na lanchonete porque era Dia dos Namorados. Nunca tivemos problemas com assaltos, então costumávamos fechar tarde. Por volta de 1h40, eu estava servindo chopps lá fora quando vi um casal em um Logan prata, que passou olhando”, contou a mulher.

Ainda de acordo com a mulher da vítima, pouco tempo depois, o condutor do veículo parou o automóvel perto da lanchonete. A mulher informou que ele entrou e pediu duas cervejas, que custavam R$6 cada uma. Porém, o homem só tinha R$10.

“Ele pegou as cervejas e levou para o carro, onde a mulher aguardava por ele. Depois, voltou à lanchonete e perguntou se tinha pago e quanto custava. Meu marido informou que o total era R$12. O homem voltou para carro e retornou dizendo que não tinha o dinheiro todo, mas que queria comprar todas as cervejas e que depois dava o dinheiro. Quando meu marido respondeu que não dava para vender fiado, o homem se alterou e perguntou se ele estava ‘esculachando’ ele”, acrescentou a esposa da vítima.

Descrito como uma pessoa tranquila pela esposa e outros amigos da vítima, Lúcio ainda teria informado que estava apenas trabalhando para sustentar seus filhos, segundo os familiares.

“Depois dessa confusão, o homem foi embora, entrou no carro e saiu cantando pneu. Ele voltou cerca de 10 minutos depois, com um bolo de dinheiro e jogou em cima do balcão, dizendo ao meu marido que agora ele seria obrigado a vender as cervejas, e ainda pediu para que ele pedisse desculpas por não ter vendido antes. Eu só sei que ele entrou e saiu da loja umas quatro vezes. Depois ele saiu e voltou uns cinco minutos depois, com uma arma na mão”, contou a comerciante.

Para evitar que a confusão acontecesse dentro do estabelecimento, Lucio correu e atravessou a rua, segundo a esposa. Os clientes, juntamente com ela, se trancaram em um banheiro da lanchonete.

“Eu e todos que estávamos na lanchonete escutamos o momento que ele (o atirador) voltou com Lucio para a lanchonete e ficou pedindo o HD da câmera de segurança. Depois ele pediu para o meu marido ajoelhar e pegou a aliança dele. Lucio ainda implorou dizendo que era pai de família, que tinha dois filhos pequenos para criar, mas escutamos o tiro”, informou a mulher, acrescentando que momentos antes do crime, o acusado ainda teria dado uma coronhada na cabeça de um cliente que estava na lanchonete.

O criminoso também levou o dinheiro que estava no caixa, o que pode indicar que provocou toda a confusão para que pudesse cometer um assalto. A hipótese de vingança não está descartada.

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