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'Vitinho Mete Bala' consegue liberdade após morte de marinheiro

Para a Justiça, mesmo condenado a 21 anos, ele não representa ameaça à família da vítima

relogio min de leitura | Redação 14 de abril de 2018 - 08:33
>> Familiares da vítima ficaram indignados com a soltura do homem condenado por morte de William
>> Familiares da vítima ficaram indignados com a soltura do homem condenado por morte de William -

Por Thuany Dossares

Apenas 18 dias após ser condenado a 21 anos de prisão pela morte do oficial da Marinha Mercante William Azelman, de 29 anos, num júri popular com votação unânime, Victor Marins Tavares Ribeiro, o Vitinho Mete Bala, 26, foi beneficiado com um habeas corpus, no último dia 2, e já está solto. O veredito da Justiça causou indignação na família da vítima.

A decisão foi do desembargador Caio Italo França David, da 5ª Vara Criminal, por entender que o condenado não apresentava ameaça aos familiares da vítima e que por isso, pode recorrer à sentença em liberdade.

Vitinho já havia conseguido outro habeas corpus em 25 de janeiro deste ano, devido ao excesso de prazo para o julgamento.

“Em virtude de ter sido condenado, a juíza decretou a sua prisão por força da própria condenação e porque os familiares da vítima estariam se sentindo ameaçados. Não foram apontados fundamentos com base em fatos concretos constantes dos autos. Por tais razões, defiro parcialmente a liminar, restaurando a liberdade antes concedida”, declarou o desembargador.

Na decisão, o desembargador estabelece que Vitinho Mete Bala tem o compromisso de comparecer em juízo até o dia 10 de cada mês, assinando presença no livro próprio e o dever de se apresentar sempre que for intimado.

Além disso, ele fica proibido de mudar de endereço ou de sair de Niterói por mais de oito dias, sem expressa autorização judicial, e fica, também, proibido de manter qualquer tipo de contato com os familiares da vítima.

Justiça - Vitinho Mete Bala foi condenado, depois de ser acusado pela polícia de assassinar o oficial da Marinha Mercante, Willian Azelman, com três tiros na nuca, durante um assalto forjado pela esposa da vítima, Rafaela Damas Ribeiro dos Santos, 29, em agosto de 2015. O caso foi a júri popular e por 7x0, Vitinho acabou condenado a 21 anos de prisão.

O pai da vítima, o comerciante Ubiracy Dias das Neves, de 56 anos, contou que ele e sua família não conseguem aceitar a decisão do habeas corpus que colocou o assassino do seu filho nas ruas, menos de 20 dias após a condenação.


  “No dia 15 de março, eu tive um alívio. Mas logo depois, ele foi solto. É algo absurdo. Eu só quero Justiça. Não é nada pessoal, não tenho sentimento de vingança, não é nada disso. Não me importa se foi o Vitinho. Se não fosse ele, seria o Zezinho, Marcinho. Eu só quero que quem tirou meu filho de mim seja responsabilizado pelo que fez”, desabafou o comerciante.


 Ubiracy relembrou o crime e disse que além da dor de perder o filho, se sentiu decepcionado ao descobrir que a própria nora foi quem arquitetou tudo.

“Quando a gente casa um filho, a gente não ganha só uma nora, a gente ganha uma filha também. Era assim que eu via a Rafaela, ela convivia comigo, entrava na minha casa. Quando eles casaram, eu e minha esposa falamos para ela cuidar do Willian. Agora eu estou ansioso também pelo julgamento dela”, afirmou.

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