Traficantes sequestram integrantes de escola de samba
Criminosos queriam parte do valor repassado pelo poder público para a agremiação

Depois de se associarem a roubos de cargas e até cobrarem a empresas para permitir a realização de obras em seus ‘territórios’, os traficantes se mostram cada vez mais ousados para conseguir dinheiro de forma ilícita. Durante o Carnaval desse ano, um grupo de criminosos chegou ao cúmulo de manter em cárcere privado, em uma comunidade de Niterói, integrantes de uma agremiação que desfilava na Rua da Conceição, no Centro da cidade.
A medida foi uma espécie de ‘ultimato’ dos criminosos por não terem conseguido que os representantes da escola dessem aos criminosos parte da subvenção repassada pelo poder público para ajudar a escola a desfilar, no valor de R$ 25 mil. A agremiação entrou sem algumas alas e a comissão de frente, apesar de muitos dos componentes já estarem fantasiados. Mesmo desfalcada, a escola se apresentou, mas acabou ocupando uma das últimas colocadas entre as 29 agremiações que desfilaram nos Grupos A, B e C.
As entidades organizadoras do evento e membros da Prefeitura de Niterói tomaram conhecimento do problema, mas tratam o assunto com extremo sigilo para não colocar em risco as vítimas envolvidas no episódio e não ‘manchar’ a história dos desfiles oficiais na cidade, que tem sido um sucesso e referência para o entretenimento gratuito de milhares ao longo de 13 carnavais.
Em média, os desfiles na Rua da Conceição contam com um público de quase 30 mil pessoas, entre desfilantes e quem vai ver a passagem das agremiações. Os organizadores irão discutir o problema ao longo do ano para que os sambistas não sejam prejudicados.
Problemas - Não é de hoje que os traficantes tentam conseguir recursos de forma ilítica em seus ‘negócios’. Em janeiro desse ano, funcionários de um depósito de gás em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, chegaram a interromper as atividades por causas das ameaças feitas pelos criminosos, que chegaram ao cúmulo de ameaçar ‘queimar vivos’ os responsáveis pelas entregas se não fossem cobradas ‘taxas’ para a empresa operar. Desde o início do ano, funcionários do estabelecimento vinham sendo ameaçados pelos criminosos, que exigiam um pagamento mensal para que a empresa pudesse operar. Na ocasião, a empresa afirmou que passaria a trabalhar vendendo os botijões “somente na portaria” do estabelecimento, “em horário comercial”. O caso está sendo investigado pela 81ªDP (Itaipu), nove criminosos foram identificados e seis foram presos.