Tráfico faz blitz e cria ‘regras de trânsito’ no Jardim Catarina
Ordem é para os carros circularem com o alerta ligado, vidros abertos e luz interna acesa

Dois dias após assumir o controle dos pontos de venda de drogas do Jardim Catarina, em São Gonçalo, Schumaker Antonácio do Rosário, 34, o Piloto ou F1, teriam determinado que seus ‘soldados’ façam blitzes, parando carros nas principais vias do bairro, para evitar a entrada de policiais à paisana ou rivais de outras facções. De acordo com a polícia a ordem para que Schumaker assumisse as bocas de fumo, antes controladas pelo traficante Tiago Rangel da Fonseca, o TH, partiu de lideranças do Comando Vermelho (CV).
De acordo com populares, na noite de quarta-feira, diversos bandidos armados com fuzis e pistolas se basearam ao longo das principais vias do bairro, como Avenida Albino Imparato e Rua Padre Vieira, e abordaram motoristas. Os criminosos ordenavam que os carros circulassem com o alerta ligado, vidros abaixados e luz interna acesa.
A polícia acredita que Schumaker tenha ordenado que seus soldados realizassem essa “blitz”, na tentativa de evitar possíveis invasões de inimigos. Através de áudios que estão circulando em redes sociais, moradores denunciam a ousadia dos traficantes.
Através da assessoria de imprensa, o comandante do 7ºBPM (São Gonçalo), tenente coronel Marcos Lima, informou que recebeu denúncias de que criminosos estariam bloqueando as vias e imediatamente ordenou o envio de reforço no policiamento e realiza, desde a noite de quarta-feira, diversas operações, inclusive com apoio de blindado e retroescavadeiras, e que desobstruiu diversas vias no bairro.
Na manhã de ontem, comerciantes e moradores do Jardim Catarina ainda estavam assustados com a ação dos bandidos. “Estamos a mercê deles. Temos medo, mas não podemos fazer muita coisa, ficamos de mãos atadas. Acho assustador ter que ser abordado por traficante de fuzil chegando em casa. Um amigo meu, que mora próximo à favela da 39, disse que essa semana chegou a se jogar no chão durante a madrugada”, desabafou um homem, sem se identificar.