Cinco jovens são executados em Maricá
Caso aconteceu no condomínio residencial do programa 'Minha Casa, Minha Vida'

Por Daniela Scaffo
Cinco jovens foram assassinados, no início da manhã de ontem, no Condomínio Carlos Marighella, do programa federal ‘Minha Casa, Minha Vida’, em Itaipuaçu, Maricá. Segundo testemunhas, as vítimas voltavam de um show de rap que aconteceu durante a 1ª Bienal de Artes, Cultura e Esportes da União Maricaense dos Estudantes (Umes), no Centro de Maricá, promovido pela prefeitura, e pararam para conversar na área de convivência do empreendimento quando foram surpreendidos.
Os jovens foram identificados como Sávio de Oliveira Vitipó, de 19 anos; Mateus Bitencourt da Silva, 18; e os adolescentes Patrick da Silva Diniz, Matheus Barauna dos Santos e Marcus Jonathas. Dos cinco, pelo menos três atuavam no ramo da cultura popular.
A companheira e a mãe do filho de Marco Jonathan, mais conhecido como JN, disse que o estudante do ensino fundamental dançava passinho e fazia rap. O jovem queria seguir a carreira de paraquedista do Exército. “Eu não sei o que aconteceu, mas ele estava no momento errado e na hora errada. Eu não sei o motivo pelo qual ele parou aqui nesse local, mas os três que conheço não eram traficantes e nem envolvidos. O Marco era uma pessoa que todo mundo gostava. Meu filho tem 1 ano e 4 meses e eu não sei nem o que falar para o meu bebê. Ele só queria dar para o filho dele o que ele não teve, que era um pai presente”, disse a adolescente.
Segundo testemunhas, dois homens chegaram em uma moto e ordenaram que os jovens deitassem no chão. Após isso, eles executaram as vítimas com tiros nas cabeças. Os assassinos ainda teriam saído anunciando: ‘Aqui é milícia e nós vamos voltar’. Entretanto, ninguém conseguiu identificar os suspeitos.
Nas redes sociais, amigos das vítimas também lamentaram o ocorrido. “Amigos que o rap me deu e que se foram. Lastimável. Não sou do tipo de fazer texto, mas realmente fiquei baqueado em saber que nos ‘rolês’ não vou mais esbarrar com meus amigos. Que falta vão fazer. Figuras importantes da minha vida. Savio (Soul) foi com quem compartilhei minha primeira rima em roda cultural. Matheus (Mabi) estava no estúdio me dando apoio à primeira música que gravei. Que Deus conforte a família dos demais envolvidos”, dizia uma publicação no Facebook.
Em uma outra publicação, um amigo escreveu: “’Mano’, não estou acreditando. Estou com o coração doendo à beça. Logo meus irmãozinhos... Descansem em paz, Soul e Mabi. Que Deus receba vocês aí em cima, olhem por nós aí de cima, vamos conquistar tudo por vocês aqui”.
A Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) irá investigar o caso. A perícia foi feita no local. Equipes estão procurando evidências e testemunhas.
Prefeitura emite nota oficial em rede social
A Prefeitura vê com indignação a ocorrência de qualquer crime na cidade diante dos esforços que vem sendo empreendidos no sentido de melhorar a segurança da população. No caso do residencial Carlos Marighella consideramos a situação inadmissível justamente pelo fato de o município vir atuando muito para levar serviços e cidadania a todos os moradores, uma ação institucional permanente de geração de trabalho e renda. Neste sábado mesmo foi realizada uma ação importante vinculada ao ensino gratuito para jovens e adolescentes e nos últimos meses escolas e postos de saúde foram agregados aos dois residenciais do MCMV, que são abertos e funcionam como qualquer outro bairro da cidade. A Prefeitura está acompanhando as investigações e cobrará providências para que o caso seja esclarecido rapidamente pelas autoridades policiais. Vamos também redobrar os esforços em termos de ações sociais que melhorem a vida de todos os que ali foram residir.
Prefeito - Na tarde de ontem, o prefeito de Maricá, Fabiano Horta, também postou no Facebook uma mensagem para as famílias das vítimas. “Um ato covarde e criminoso ceifou a vida de cinco jovens e a alegria de centenas de familiares e amigos no MCMV Carlos Marighella em Itaipuaçu. Nosso pesar sincero e intenso a todas as famílias que morreram um pouco juntas neste dia triste. Estamos cobrando total apuração e punição aos criminosos e vamos as autoridades policiais do Estado em busca de empenho e desvendamento imediato dessa chacina. É hora de dor e choro, mas também de transformarmos cada vez mais essa angústia indignada em um choque de presença social que todos os moradores, jovens e trabalhadores dos nossos bairros populares merecem. Não vamos naturalizar a morte de jovens na nossa cidade”, Fabiano Horta.