Pais choram a perda do filho na luta contra as drogas
Jovem foi encontrado morto às margens da BR-493, em Itaboraí

“Eu sempre falei para a minha esposa se preparar. Ela não gostava quando eu falava, mas eu sentia isso. Eu já esperava que isso acontecesse, sempre lia no jornal essas coisas e tinha medo disso acontecer com meu filho”. Foi num misto de dor e conformação que um microempreendedor, de 62 anos, reconheceu o corpo do filho, de 19 anos, encontrado morto, na manhã de ontem, num terreno baldio às margens da BR 493 (Manilha - Magé), em Itaboraí.
Quem encontrou o corpo do jovem, que estava com os pés amarrados, foi a sua própria mãe, uma dona de casa, que preferiu não se identificar, por volta das 5h. A família é moradora de Manilha e foi comunicada da morte por vizinhos. De acordo com os pais, o rapaz havia saído na noite anterior, como costumava fazer. Para o pai, cada vez que o filho saía era uma preocupação.
“Eu sempre conversei com ele, dava conselhos, o chamava para trabalhar comigo. Ofereci estudos, colégio particular, mas ele não quis. Ele estava tendo uma rotina diferente e eu já desconfiava de algo. Cada vez que ele saía, era uma noite mal dormida. Saio 4h para trabalhar, mas ficava até as 3h acordado preocupado com ele”, recordou. Segundo os familiares, o jovem era usuário de drogas.
Conforme o microempreendedor, ele e sua esposa fizeram de tudo pelo filho. “Em 2016 nós o colocamos numa clínica de reabilitação lá no Guarujá, no litoral de São Paulo. Ele ficou lá por dois meses e a gente fazia questão de ir visitá-lo, cada vez que íamos, gastávamos mais de mil reais. Foi uma luta de cair o queixo, ficar desarmado. Agora só nos resta a dor. A minha ficha ainda não caiu. Eu tô olhando para ele ali, mas a minha vontade é de pegá-lo no colo, se pudesse tirar ele dali, eu tiraria, botaria ele no carro e levaria para casa”, lamentou.
“Se eu fosse uma mãe ruim, poderiam dizer que aconteceu porque a mãe não presta, que largou na rua. Não jogaria nem inimigo na rua, imagina meu filho. Então a minha parte eu fiz, eu sei que fiz. Eu sempre dizia que eu não iria parar de lutar, eu não iria desistir jamais”, desabafou a mãe. (Thuany Dossares)