PM assassinado em São Gonçalo pode ter entrado em favela por erro de GPS
Divisão de Homicídios busca os autores do crime

A Polícia Civil investiga a informação de que o policial militar Patrick Batista Lopes, de 27 anos, morto na madrugada da última sexta-feira, pode ter sido surpreendido por criminosos ao entrar por engano na Favela da Linha, no Rio do Ouro, em São Gonçalo após um erro do GPS. A informação, recebida por meio de denúncia anônima, será investigada por agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí, e São Gonçalo (DHNISG), responsável pelo caso.
Na noite de sábado, outro policial militar acabou baleado, dessa vez em Niterói, no Morro do Serrão, Cubango. A vítima foi um cabo, que teve uma das pernas atingidas por arma de fogo durante uma operação do 12º BPM (Niterói). Ele foi encaminhado para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, mas liberado em seguida.
“Essa hipótese passa a nos direcionar para uma outra linha de investigação, por isso vamos checar a informação para chegarmos aos autores do crime”, informou o delegado-titular da especializada, Fábio Barucke.
O cabo do 12º BPM foi o 27º policial baleado no estado do Rio somente esse ano. Outros oito policiais foram mortos nos primeiros 18 dias de 2018. Em São Gonçalo, dois policiais foram baleados e três militares foram assassinados, dois somente na última semana. Já em Niterói, esse foi o primeiro registro do ano.
Indignação - “Estamos morrendo por quem?” O questionamento indignado de um sargento da PM ocorreu durante o enterro do colega de farda Patrick Batista Lopes, em Maricá, no último sábado. O corpo de Patrick foi enterrado através de uma “vaquinha” entre amigos e familiares, pois a Polícia Militar se negou a custear o enterro, alegando que ele não foi morto em “ato de serviço’.
“A gente faz por todos, sem nem conhecer a vítima. A gente coloca a própria vida em risco para proteger a de um desconhecido. Mas o Estado, que deveria lutar pela gente, se omite. Somos nós por nós mesmos, e a cada dia enterramos um dos nossos”, acrescentou o PM.
No último dia 16, o soldado Marcos Vinicius da Silva Alves Azeredo, lotado no Grupamento de Polícia Ferroviária (Gpefer), também foi morto em São Gonçalo. O município registrou também, no dia 3, o primeiro policial assassinado do ano. O soldado Ivanderson da Silva Pinheiro, 38, morreu após ser baleado durante tentativa de arrastão, no Mutuá.
Disque-Denúncia – O Disque-Denúncia divulgou cartazes que pedem ajuda da população para identificar quem matou os policiais. Quem passar informações que levem à polícia a identificar os envolvidos nos casos recebem uma recompensa de até R$ 5 mil.
(Renata Sena/ Cyntia Fonseca)