São Gonçalo e Niterói sofrem com aumento de casos de latrocínio
Dados do ISP são de janeiro a outubro

De janeiro a outubro, doze pessoas foram assassinadas durante assaltos em Niterói e 19 tiveram suas vidas ceifadas pelo mesmo crime em São Gonçalo. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), os índices de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentaram nas duas cidades. Em Niterói, o aumento foi de 71%, já que a cidade registrou nos dez primeiros meses de 2016 sete casos, enquanto em São Gonçalo, o aumento foi de 18%, já que no ano anterior foram registrados 16 casos nesse mesmo período.
Esses crimes são investigados pela Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), e o delegado Fabio Barucke explicou que diferente dos homicídios, o latrocínio é mais difícil de ser investigado.
“O homicídios é mais fácil de elucidar porque sempre tem um histórico entre vítima e autor, um fato que antecede que a gente pode pegar uma linha de investigação. O latrocínio é um esbarrão, não tem nenhum histórico. É o crime que mais nos incomoda porque é onde pessoas de bem acabam morrendo. Claro que no homicídio, pessoas de bem também acabam morrendo, mas nesses casos, 80% estão ligados ao tráfico de drogas”, explicou.
Barucke ainda falou que em hipótese alguma, as pessoas devem reagir a assaltos. “A orientação é que nunca se reaja. Reagir é contar com a sorte e não vale a pena contar com a sorte quando se trata de uma vida. O bem a gente recupera, a vida não. Em nenhuma ocasião, jamais, reaja a assalto”, orientou o delegado.
Recordando - No final de novembro, o integrante de uma casa de religião de matriz africana, Nilton Zacarias Machado, mais conhecido como ‘Nilton Macumba’, de 60 anos, foi assassinado, no Boavista, em São Gonçalo, durante um assalto, quando chegava a uma padaria.
Testemunhas contaram que Nilton, que era morador do bairro, chegava para comprar pão, por volta das 6h20, quando foi surpreendido por quatro criminosos armados, na Rua Joaquim de Oliveira, que queriam seu carro, um Renault Sandero Stepway, de cor branca. Os bandidos abordaram o homem, após o veículo que eles estavam - um Renault Sandero cinza, que havia sido roubado momentos antes - ter travado. A vítima não teria reagido a ação, mas, ainda assim, os bandidos dispararam um tiro contra ela.
No mesmo período, o policial militar reformado Wilson Mendes, de 66 anos, foi morto durante uma tentativa de assalto em sua loja de material de construções, no Barro Vermelho, em São Gonçalo.
O comércio era mantido por ele naquele ponto há 26 anos. Pelo menos, dois homens teriam anunciado o assalto, surpreendendo Wilson, que sacou seu revólver de calibre 38 e atirou. A vítima teria conseguido acertar um dos criminosos antes de morrer no próprio comércio com ferimentos na cabeça e no peito. (Thuany Dossares)