Roubo de carga aumenta mais de 200% em um ano em São Gonçalo
Nando do Anaia é um dos responsáveis pelo aumento

Enquanto comprar pela internet ganha cada vez mais força pelo mundo, moradores de São Gonçalo e região estão sendo “obrigados” a regredir e estão dando um passo contra a modernidade. Isso porque, para evitar os constantes roubos de cargas, que aumentaram em mais de 200% em relação a 2016, a maioria das lojas com vendas online tem se recusado a fazer entregas em diversos bairros do município.
Apesar de causar muito transtorno, a negação das empresas tem um motivo bem claro. Somente nos 10 primeiros meses do ano, 1.777 registros de roubos de cargas foram feitos nas delegacias de São Gonçalo, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro.
Ainda de acordo com os dados do ISP, mais de seis cargas foram roubadas por dia na cidade, entre os meses de janeiro a outubro. No mesmo período de 2016, as distritais gonçalenses registraram 571 casos semelhantes.
Apesar do número assustador, policiais militares, em parceria com a Força Nacional (FN), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) têm aumentado o patrulhamento nas áreas mais críticas e atuado de forma precisa na recuperação das cargas, muitas vezes poucas horas depois do crime.
O número total de material recuperado, no entanto, não foi divulgado pela Polícia Militar, que afirmou através de nota que “apesar da crise econômica do Estado, os batalhões têm utilizado todos os recursos humanos e materiais disponíveis para combater esse tipo de ação criminosa. Os materiais são encaminhados para a delegacia da área, por este motivo não temos quantitativos de apreensões”.
Niterói e Itaboraí - Embora um pouco mais tímido, em Niterói, o roubo de carga também sofreu um aumento de 23%, passando de 56 casos em 2016 para 69 já registrados esse ano. Em Itaboraí, ano passado, foram registrados 78 casos, passando para 120 este ano, com um aumento de 58%.
Rotas do medo – Além da região de Maria Paula e do Rio do Ouro – que se transformaram em alvos constantes de operações de policiais da 75ª DP (Rio do Ouro) para enfraquecer os criminosos que, em parceria com traficantes locais estavam roubando, pelo menos, uma carga por dia – a BR-101, entre os bairros do Boa Vista e de Guaxindiba e a Estrada de Santa Isabel também são os pontos preferidos dos criminosos, que estão usando as cargas roubadas para aumentar a renda do crime organizado.
Nando do Anaia: O 'rei dos roubos'
Apontado pela polícia como o principal responsável pelo aumento no número dos roubos de carga, o também traficante Luís Fernando Rodrigues de Souza, o Nando do Anaia ou Cafajeste, de 30 anos, ligado à facção Comando Vermelho (CV), encontrou nos roubos de carga mais uma fonte de lucros. Segundo a polícia, ele e seu bando seriam os responsáveis pelo aumento no números dos roubos de carga no município.
Conforme as investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Carga (DRFC), Nando e sua quadrilha atuam principalmente nos acessos à BR-101, entre os bairros Boa Vista e Guaxindiba.
O "bonde" assalta todo tipo de carregamento, como cervejas, eletrodomésticos, eletrônicos e alimentícios. Na maioria das ocasiões, após o roubo, eles fogem em direção ao Complexo do Salgueiro. Algumas vezes, os ladrões mantêm os funcionários como refém por alguns minutos, só os libertando quando chegam no local onde os produtos serão descarregados.
O mesmo acontece também em outros lugares de São Gonçalo, que ficam próximos ao Complexo do Anaia, onde Nando também lidera o tráfico de drogas.
De acordo com as investigações da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), Nando, que era conhecido por atuar no Complexo do Anaia, achou no Complexo do Salgueiro, um dos "quartéis generais" da facção, o seu esconderijo perfeito.
No entanto, por levar muita carga roubada para o conjunto de favelas e atrair a atenção da polícia, o chefão do pó local, Thomaz Jhayson Vieira Gomes, mais conhecido como 2N ou Neném, expulsou Nando do Salgueiro para evitar as operações em seu território. A ação, no entanto, ainda não refletiu na Rodovia Niterói Manilha, que continua sendo a rota preferida dos ladrões de cargas de São Gonçalo.
(Renata Sena)