Bandidos sequestram casal e bebê no Gradim para tentativa de roubo a banco
Vítimas foram liberadas sem ferimentos

O olhar singelo e inocente, o sorriso espontâneo e alegre, e o jeito levado de quem queria brincar e correr o tempo todo, em nada se pareciam com o momento de tensão de quem tinha acabado de passar a noite em cárcere privado, dentro de uma favela, nas mãos de criminosos. Essa descrição é da sutileza de um bebê de apenas dois anos, e era completamente oposto ao choro desesperado de sua mãe, que foi sequestrada junto com o filho caçula e o marido, na noite de terça-feira, no Gradim, em São Gonçalo. Todos foram libertados no início da manhã de ontem.
A família estava chegando em casa de carro, por volta das 23h, quando foi surpreendida por um grupo de cinco criminosos, que ocupavam um Honda Civic. Os bandidos vendaram os olhos do casal e usaram o seu próprio veículo para levar até o cárcere. Mãe e filho foram deixadas numa casa no Morro do Castro, em Tenente Jardim, enquanto o pai foi levado para outra comunidade, ainda não identificada pela polícia.
“Até chegarmos ao Morro do Castro, estávamos todos juntos, depois ele me deixaram lá na casa com meu filho e seguiram com o meu marido. Só levaram meu celular para eu não fazer contato com ninguém. Só sei que estava nessa comunidade porque eles disseram, porque eu mesma não tinha como saber, estava com os olhos tapados. Parece que tinha muita gente na casa, ouvi muitas vozes. Mesmo eles falando que não iam machucar eu e meu filho, é uma tortura psicológica muito grande. Meu bebê me via nervosa e falava ‘calma mamãe, calma mamãe’”, desabafou a mulher.
Segundo a mulher, os criminosos chegaram a perguntar o que o menino costumava comer no café da manhã e ainda compraram para ela os seus remédios controlados. De acordo com as investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), onde o caso foi registrado, o sequestro foi motivado porque o homem é gerente de uma agência do Bradesco e os bandidos exigiam que a vítima abrisse os cofres do banco e sacassem todo o dinheiro.
Os sequestradores liberaram o pai do menino às 7h e mandaram ele ir até o seu local de trabalho, sob a ameaça de que estava em poder de toda sua família. A agência acionou à polícia e os agentes começaram a monitorar a situação. Percebendo a movimentação da DRF, os sequestradores simularam um confronto e se passando por policiais, retiraram mãe e filho da casa e os deixaram na Praça do Barreto, em Niterói.
“Eles já haviam me dito que por volta das 10h ou 11h já estaria tudo resolvido. Ai um pouco antes disso eu comecei a ouvir muitos tiros e logo depois entraram na casa falando que era da polícia e me tiraram de lá. Eu questionei porque eles, que se diziam policiais, não iam me levar até a delegacia, mas eles disseram que tinham que perseguir os bandidos””, contou a mãe. (Thuany Dossares)