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Trabalhador é morto durante confronto entre PMs e traficantes em São Gonçalo

relogio min de leitura | Redação 17 de abril de 2015 - 16:53

Luiz era marceneiro de uma empresa há 3 anos

Foto: Divulgação

“Ele não era bandido. Não vou deixá-lo agora ser enterrado como um. Não boto a mão no fogo pela integridade dele. Eu me jogo de corpo inteiro”.

A declaração emocionada é da funcionária pública Danielle Medeiros, de 36 anos, esposa do marceneiro Luiz Carlos de Mendonça Júnior, 35, morto durante troca de tiros entre policiais do 7ºBPM (São Gonçalo) e traficantes da Favela da Linha, em Rio do Ouro, na noite de quarta-feira. No confronto, outros dois homens também foram baleados: Jorge Araújo do Espirito Santo, 26, que também morreu no local; e Eudes Mendes de Lira, 31, encaminhado ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, onde permanece internado.

Os PMs contaram que seguiram para a comunidade com o objetivo de verificar uma denúncia de que traficantes da facção criminosa Amigo dos Amigos (ADA) teriam tentado invadir o local para retomar o controle das bocas de fumo do bando rival, o Comando Vermelho (CV). Ainda segundo os policiais, um grupo formado por oito bandidos efetuou disparos contra os policiais na Rua Áustria.

No confronto, os três acabaram baleados. Os policiais disseram ter apreendido duas pistolas e um revólver - uma delas próxima ao corpo de Luiz Carlos - além de 270 pinos de cocaína, 77 trouxinhas de maconha e rádios transmissores.

Danielle disse que vai provar inocência do marido
Danielle disse que vai provar inocência do marido (Foto: Sandro Nascimento)

Inconformados, familiares de Luiz Carlos contaram que ele havia saído de casa para ir a um supermercado quando começou a troca de tiros. A vítima, que não tinha como antecedentes criminais, trabalhava como marceneiro e tinha carteira assinada há três anos na mesma empresa.

“Quando ouvi o tiroteio fiquei tranquila, porque ele tinha saído para ir ao mercado. Eu ainda passei duas vezes pelos corpos para buscar meu filho no ponto de ônibus, mas nem olhei para ver quem era. Nunca achei que meu marido estivesse ali. Só passei a suspeitar quando vizinhos que voltavam do trabalho disseram que era o Luiz e o celular dele não atendia”, recordou a funcionária pública.

Segundo o delegado Emanuel Abud, da 74ªDP (Alcântara), onde o caso foi registrado, Luiz Carlos pode ter sido vítima de bala perdida. As armas dos PMs que participaram da ação foram apreendidas e serão encaminhadas para confronto balístico. A esposa e o patrão do marceneiro prestaram depoimento no inquérito, que será encaminhado à 75ªDP (Rio do Ouro).

O comandante do 7ºBPM, coronel Fernando Salema, informou que os agentes ficaram horas observando a movimentação dos suspeitos e só se aproximaram quando perceberam que poderiam abordá-los sem que nenhum inocente fosse atingido, caso houvesse um confronto armado. O oficial ainda disse lamentar pelas vidas perdidas na operação.

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