Comerciante é morto em área de disputa entre tráfico e milícia em São Gonçalo
Caso aconteceu no Morro do Abacatão

O comerciante identificado como Cláudio França dos Santos, de 44 anos, foi morto a tiros na tarde de ontem, enquanto abria seu bar, no Morro do Abacatão, no Boa Vista, em São Gonçalo. O imóvel, que fica na Rua Porto Carreiro, é o mesmo que foi palco de uma chacina que terminou com sete rapazes mortos a tiros, há menos de oito meses.
De acordo com a polícia, homens desceram do carro e atiraram mais de dez vezes contra o comerciante - que estava sentado em uma mesa do bar - atingindo cabeça, perna e tórax da vítima. Pelo menos três dos disparos foram à queima roupa, ou seja, com grande proximidade.
O bar do comerciante fica no térreo do imóvel onde sete jovens foram assassinados, na madrugada do dia 17 de março.
Assustados, os moradores preferiram não comentar sobre o caso. O filho do comerciante, que decidiu não se identificar, contou que Cláudio mora no local há mais de 15 anos e não tinha inimizades com ninguém.
"Eu não sei o que houve direito porque não moro com meu pai. O que me contaram é que os atiradores estavam em um carro, que também não me informaram as características", limitou-se a dizer, ainda emocionado.
No chão da rua em que aconteceu o crime, existe diversas palavras de “paz” escritas com tinta branca no asfalto. Em contrapartida, nos muros de residências ao redor do bar há pichações do tráfico de drogas, além de ameaças como “X9 vai morrer”.
A Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNISG) periciou o local e irá investigar o caso. A principal linha de investigação é a de execução.
Área é alvo de disputa entre milícia e tráfico
A polícia investiga possível ligação de execuções ocorridas na área do Abacatão a uma disputa entre traficantes de drogas e uma milícia que atua na região.
No mais recente episódio, um mototaxista, de 52 anos, foi torturado por criminosos do Morro do Abacatão somente por trabalhar numa área de milicianos e ter subido a comunidade controlada por traficantes. Ele foi encontrado morto na Estrada de Guaxindiba, no último dia 10.
A vítima teria sido surpreendida na manhã da última quinta-feira, quando levava um passageiro à comunidade, e acabou sendo torturada e executada. Traficantes ainda mantiveram o cadáver no alto do morro durante todo o dia e disseram que só entregariam o corpo se os milicianos fossem buscar.
Em abril, dois amigos de infância, Railander da Silva Figueiredo, de 20 anos, e Samuel Gonzaga Fernandes Silva, de 18, foram encontrados mortos com marcas de tiros e as mãos amarradas, no alto da comunidade, na Rua Judite Nanci.
Os jovens foram criados juntos na Favela do Pombal, no Gradim, e haviam sido vistos pela última vez na noite de terça-feira, quando saíram juntos da comunidade.
O mais sangrento episódio da comunidade aconteceu em março deste ano, quando sete rapazes foram executados a tiros na mesma comunidade. Uma das vítimas fatais também estava com as mãos amarradas.