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Grupo de agiotas monta ‘império’ que rende R$ 3 milhões na região

Casal tinha 60 escritórios em todo o estado

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 13 de outubro de 2017 - 07:51
 Patrícia Valéria, de 48 anos, e Marco Aurélio Sayão: de vida humilde ao luxo e ostentação
Patrícia Valéria, de 48 anos, e Marco Aurélio Sayão: de vida humilde ao luxo e ostentação -

De uma vida simples na favela da Jaqueira, na Parada 40, em São Gonçalo, para o luxo e ostentação na alta sociedade de Niterói. Essa foi a trajetória do maior casal de agiotas do Rio de Janeiro. De acordo com investigações da 77ªDP (Icaraí), Marco Aurélio Sayão, mais conhecido como Sobral, 52, e sua esposa, Patricia Valéria Andrade de Oliveira, de 48 anos - ambos presos - começaram na prática de extorsão emprestando dinheiro para vizinhos e atualmente são donos de 60 escritórios de agiotagem em todo o estado e movimentam mais de R$ 3 milhões por mês.

As investigações da Polícia Civil, coordenadas pelo delegado Mário Luiz da Silva, revelaram que a atividade criminosa virou um ‘negócio’ de família e 22 pessoas, entre elas um candidato a vereador de Niterói filiado ao do PT do B, de 37 anos, que estão sendo indiciados por extorsão e formação de quadrilha.

Entre os identificados estão Alex Ferreira de Oliveira e Joaquim Carlos Vieira de Oliveira, o Pipoca, irmão e pai de Patrícia, respectivamente, que estão com mandados de prisão em aberto. Estão foragidos também Welington Costa Campos Junior, Danieli de Andrade Almeida, Roberto Belo da Silva, o Betinho e Marcio Ney Corletto dos Anjos, o Márcio Gordo.

Com o dinheiro, Sobral e Patrícia construíram um verdadeiro império. O casal morava num apartamento na Boa Viagem, na Zona Sul de Niterói, avaliada em R$ 6 milhões. Eles também possuíam duas mansões em Angra dos Reis, uma mansão em Buzios, sete apartamentos na orla de Charitas, também na Zona Sul niteroiense, um iate e carros de luxo. Além de escritórios laranjas. 

"Eles alugavam lojas e faziam comércios falsos, como imobiliárias, call centers, loja de móveis, pkara disfarçar os escritórios deles, as principais centrais. Os 22 indiciados são os gerentes, os cabeças e organizadores", esclareceu o agente. 

Por conta das investigações, que aconteceram entre 2012 e 2014, a Subsecretaria de Inteligência identificou através de escutas telefônicas ameaças de morte contra dois policiais, um juiz e um promotor. O processo está em andamento no Ministério Público e a denúncia gerou desdobramentos para outros inquéritos. 

Quadrilha cobrava 50% de juros a clientes 

De acordo com a apuração, o grupo emprestava dinheiro para as vítimas e cobrava juros de 50% em cima do valor cedido. "Eles emprestavam por exemplo R$ 1 mil e no mês seguinte a pessoa teria que pagar R$ 1500 mil para quitar a dívida. Mas na maioria dos casos, as pessoas só conseguiam pagar o juros e nunca a dívida completa, com isso ia acumulando. Era juros sobre juros, virava uma bola de neve e as pessoas não conseguiam pagar nunca", explicou um investigador. 

Caso as pessoas não quitassem o débito, o bando ameaçava a ela e seus familiares, invadiam suas casas e tomavam seus bens. No entanto, ainda assim a vítima continuava endividada. Apenas com os juros, a quadrilha movimentava mensalmente cerca de R$ 3 milhões. 

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