'Revólver' faturava R$ 72 mil por mês como 'síndico' do Caramujo
Ele cobraria taxa dos moradores do 'Minha Casa, Minha Vida'

Agentes da 78ªDP investigam se o ex-chefe do tráfico do Complexo do Caramujo, Zona Norte de Niterói, Igor Cristiano dos Santos Freitas, o Titio Revólver, de 29 anos, "se entregou" à polícia para não ser morto pela alta cúpula da facção Comando Vermelho (CV).
De acordo com a apuração da distrital, a 'administração' do criminoso estava sendo muito questionada por moradores e isso começou a desagradar o alto escalão do CV. Além de gerenciar a venda de entorpecentes, Titio Revólver estaria cobrando uma taxa irregular de R$ 120 reais para moradores do condomínio Minha Casa Minha Vida, da localidade do Morro do Céu.
Agindo como miliciano, o traficante alugava e vendia os apartamentos do conjunto habitacional, e chegava a expulsar moradores do conjunto habitacional. O acusado também estava monopolizando a venda de gás na comunidade, além de impor valores para permitir que empreiteiras fizessem obras no complexo. Caso não pagassem as taxas, as empresas não tinham permissão para trabalhar. Titio Revólver também permitia roubos no interior e nos arredores do Caramujo, além de controlar as favelas com mãos de ferro, desrespeitando moradores.
Todas essas imposições do acusado chegaram até o conhecimento de lideranças do CV no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio - de onde Titio Revólver é oriundo - que desaprovaram tais ações. Segundo a polícia, temendo ser julgado e condenado à morte pelo tribunal do tráfico, o criminoso voltou para o conjunto carioca, mas não chegou a encontrar os ex-comparsas.
Na última segunda-feira, teria facilitado a sua prisão para os PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Nova Brasília, em conjunto com agentes da 45ª DP (Complexo do Alemão). Ele foi capturado sem nenhum material ilícito e contra ele foram apenas cumpridos os mandados de prisão.
As investigações ainda apontam que o bandido teria sido desligado do Comando Vermelho, já que após ser detido, ele foi transferido para o Presídio Ary Franco, em Água Santa, que é conhecido por ser uma penitenciária sem facção, uma espécie de "seguro".
Já os seguranças de Titio Revólver, Pocoyô e Bolinho, que também vieram do Complexo do Alemão mas decidiram ficar em Niterói, podem ter sido executados, após a sua prisão, por bandidos criados no Caramujo e que são soldados de Rodrigo da Silva Rodrigues, o Tinenem - antecessor do traficante do Rio.
Uma foto que circula nas redes sociais, mostra dois homens mortos no porta-malas de um carro, que seria da dupla. Segundo um áudio em forma de funk, os “crias” (bandidos oriundos do Complexo do Caramujo) teriam jogado os corpos deles no lixão do Morro do Céu - lugar onde os traficantes costumam jogar cadáveres. Uma das rimas afirma, inclusive, que Pocoyô e Bolinho teriam sido queimados. No entanto, até o momento as mortes não foram registradas pela Divisão de Homicídios.
Com isso, a polícia concluiu que não houve um racha na facção criando uma briga entre os traficantes cariocas e niteroienses, mas que as execuções teriam tido o consentimento do CV.