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Polícia Civil realiza megaoperação de combate à compra de vales refeição e transporte

Quadrilhas movimentavam milhões de reais

relogio min de leitura | Redação 04 de outubro de 2017 - 12:02
Megaoperação combate compra de vales refeição, alimentação e transporte
Megaoperação combate compra de vales refeição, alimentação e transporte -

A Polícia Civil realiza, hoje (04), uma megaoperação de combate à lavagem de dinheiro obtida com a compra de vales refeição, alimentação e transporte de trabalhadores do Rio de Janeiro. De acordo com as investigações, iniciadas há três meses, grupos criminosos usam empresas fantasmas de fachada e 'laranjas' para movimentar o valor recebido com a compra de tíquetes em escritórios espalhados pelo Estado. Apenas uma das quadrilhas movimentou mais de R$ 12,5 milhões em dois meses.

Vales refeição e alimentação

Segundo as investigações, os criminosos, chamados de 'tiqueteiros', abrem empresas de fachada do ramo alimentício para conseguir máquinas de cartão que aceitem vale alimentação e refeição. Em seguida, os equipamentos são enviados para escritórios que, geralmente, também comercializam ouro, onde é feita a compra dos benefícios dos trabalhadores. Muitos escritórios nem se preocupam em esconder a ação criminosa e usam cartazes e placas para divulgar a comercialização dos tíquetes.

Nas transações, são cobradas do trabalhador taxas que variam entre 15% e 18%. Parte da quantia fica para o escritório e o restante vai para os responsáveis pelas empresas que transferem os valores para empresas legais, pessoas físicas e, até mesmo, instituições religiosas.

As transações financeiras atípicas chamaram a atenção da Polícia Civil e do Ministério Público. Ao todo, cerca de 90 pessoas físicas e jurídicas com movimentações suspeitas são investigadas. Há casos, por exemplo, de uma distribuidora de alimentos registrada em um endereço que não existe e que movimentou mais de R$ 700 mil em um mês. Padarias que não têm sequer um funcionário e movimentaram mais de R$1 milhão por mês e de uma mercearia que, no mesmo período, fez transações de mais de R$2 milhões, incompatíveis com seu faturamento.

Vales transportes

No caso dos vales transportes, o esquema é diferente. Os trabalhadores deixam nos escritórios seus cartões. Estes são recolhidos por atravessadores, que os levam até empresas de ônibus e vans coniventes com o esquema, onde os créditos são descarregados. O bilhete é devolvido ao trabalhador dias depois. Em alguns escritórios, o tempo para devolução do vale transporte chega a 30 dias úteis. A taxa cobrada do trabalhador na transação chega a 50%. Desses, parte fica com a viação, uma com o dono do escritório e outra com o atravessador. 

Operação Fantoche

O nome da operação faz alusão à fraude, manipulação, articulação e toda a ilusão de que o trabalhador está tendo vantagem com as transações. A 1ª fase da operação cumpre 46 mandados de busca e apreensão em diversos bairros da Capital, nas cidades da Baixada Fluminense e, ainda, em Londrina, no Paraná. 

Os envolvidos no esquema serão indiciados por lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsidade ideológica e crime contra a economia popular. As investigações continuam para identificar outras quadrilhas envolvidas no mesmo tipo de crime no Estado.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu e estão sendo cumpridos por cerca de 150 policiais civis de delegacias especializadas. Todos os envolvidos estão sendo levados para a Cidade da Polícia, onde vão prestar depoimento.

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