São Gonçalo registra média de um estupro por dia, segundo o ISP-RJ

Por Renata Sena
“Quando ela me contou, senti o chão se abrir. Fiquei sem saber o que pensar, mas em momento nenhum eu duvidei da minha filha. E em todo tempo deixei claro que ela não tinha que ter vergonha ou se sentir culpada. Ela foi vítima! A culpa não foi dela. Não é ela quem deve ser punida”.
O desabafo é de uma vendedora, de 30 anos, mãe de uma menina, que engrossou as estatísticas de estupros ocorridos em São Gonçalo. O crime acontecia há mais de um ano, mas a criança, de apenas nove anos de idade, tinha medo de revelar a violência praticada por um familiar.
Além desse caso, policiais da região registraram outros 32 crimes de estupros somente em maio desse ano. Mais de uma pessoa foi estuprada por dia ao longo desse mês, de acordo com dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ). No mesmo mês de 2016, foram registrados apenas nove casos.
“Seria muito preocupante se houvesse relatos de um estuprador fazendo várias vítimas, mas isso não está acontecendo. O que podemos ver são pessoas fugindo da teia de violência que já acontece, normalmente, há bastante tempo. São mulheres que estão quebrando o silêncio e buscando coragem para denunciar. Temos histórias de mulheres que procuram a delegacia e revelam que são estupradas desde a infância. Muitas vezes, elas contam e ninguém acredita, passam uma vida sofrendo a violência sexual. Então, nesse sentido, é positivo termos um grande número de crimes denunciados”, explicou a delegada Débora Rodrigues, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo.
Foi pensando em romper o ciclo de violência sofrido pela filha que a vendedora não teve dúvidas em procurar a polícia. “No dia em que descobri busquei ajuda. Se eu não confiasse na minha filha, ela poderia estar sofrendo calada até hoje”, finalizou a mãe da vítima.
“Denunciar à polícia é a única forma de interromper esse ciclo de violência e punir o agressor”, concluiu a delegada.