Operação Calabar investiga oficiais da Polícia Militar

Por Gustavo Carvalho e Thiago Soares
Um depoimento sigiloso de um delator ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta para a participação de dois oficiais da Polícia Militar - um capitão e um tenente - no esquema de pagamento de propina para que policiais do 7ºBPM (São Gonçalo) não reprimissem o tráfico em favelas de São Gonçalo. O envolvimento de PMs com bandidos foi revelado durante a Operação Calabar, deflagrada por agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), na última quinta-feira.
No documento, ao qual OSG teve acesso, o colaborador - que atuava como informante (X-9) dos policiais corruptos - conta que um sargento alertou um oficial de que agentes do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) de Santa Luzia estavam “atrapalhando a relação da PM com o tráfico”. Por isso, o oficial teria orientado que o pagamento do “arrego” fosse feito no DPO do Jardim Catarina e proibiu que os militares fizessem operações nas chamadas “comunidades parceiras”.
Em outro trecho, o delator afirma que os policiais pediram para que ele fizesse o recolhimento de propina de traficantes para permitir bailes funk nas comunidades durante as festas do fim de ano. Ao entregar a quantia arrecadada nas mãos de um sargento, um oficial teria reclamado do valor por considerá-lo baixo.
Presos e foragidos - Até o final da tarde de ontem, mais três PMs haviam se apresentado na sede da DH. Entre eles estava o sargento Rafael Rodrigo Garcia Cruz, mais conhecido como Tubarão. Ele chegou à delegacia especializada por volta das 13h, acompanhado por dois oficiais. Dos 97 PMs investigados, 90 já estão presos. Dos cinco informantes (X-9) responsáveis pelo recolhimento do ‘arrego’, dois ainda continuam foragidos: Michel Monteiro de Oliveira, o Michel Gago, e Carlos Eduardo Batista de Souza, o Edu Pica. Os dois integravam o “Bonde dos Quebras”, grupo paramilitar que atuava, principalmente, no Jardim Catarina.
Corpos Carbonizados - Policiais da DH buscam a identificação dos quatro corpos carbonizados, encontrados dentro de um veículo, na manhã de domingo, no Baldeador, em Niterói, e investigam se as vítimas tinham qualquer tipo de ligação com os policiais militares envolvidos na Operação Calabar.