Elo entre a polícia e o tráfico

As investigações começaram a partir da prisão de Sandro de Oliveira Vinhas, em fevereiro do ano passado. Ele, que é acusado de ser o elo entre o tráfico e a PM, foi detido durante uma perícia em um local de homicídio na Avenida do Contorno, no Barreto. Ao abordá-lo, os policiais encontraram seis telefones celulares e R$ 28 mil em espécie, provenientes do tráfico e que seriam entregues aos militares.
O suspeito aderiu à delação premiada, inédita até então na esfera da segurança pública e, entregou um dos maiores esquemas de corrupção envolvendo mais de 50 comunidades da cidade e policiais do 7º BPM ( São Gonçalo). Nos celulares apreendidos, os agentes conseguiram, após liberação da justiça, diversos números de telefones usados pelos militares para negociar a propina com os traficantes.
Com as investigações já em andamento, em abril, outras duas pessoas, que acabaram tomando o lugar de Vinhas no contato da PM com o tráfico, Daniel Soares e Renato Tardin, o Amarelo, também foram detidas. Com Soares, foram apreendidos R$ 9,5 mil, enquanto Renato carregava R$ 1 mil. O dinheiro havia sido recolhido em comunidades de São Gonçalo e seriam repassados aos policiais.
No dia seguinte, através de escutas autorizadas, um policial militar Marcelo Bento Vidile, e mais três homens, foram identificados e detidos na saída de uma comunidade utilizando um carro roubado. Com o grupo, foram arrecadados duas armas de fogo, vários aparelhos celulares e mais R$ 2,2 mil que seria dinheiro de proprina dos traficantes.