DH investiga envolvimento de familiar no assassinato de casal e filha de 9 anos

Por Renata Sena e Thiago Soares
Policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo apontam a irmã de Soraya Gonçalves de Resende, de 37 anos - executada junto com o marido e a filha dentro de casa, em São Gonçalo - como a principal suspeita de encomendar o triplo assassinato. Na cena do crime, a mulher chegou a chorar ao lado de amigos, mas não compareceu ao sepultamento dos familiares, na tarde de ontem. “Ela pode estar envolvida. A morte dos três, em tese, a beneficiaria na herança que está sendo disputada”, explicou o delegado Fábio Barucke, diretor da especializada.
A animosidade entre as irmãs chegou à delegacia em 18 de junho do ano passado, quando Soraya fez um registro de ocorrência contra a irmã, que fez comentários ofensivos numa foto que ela postou com o pai adotivo. “Vagabunda. Agora que está morto coloca foto com mensagem que um dia vai se encontrar! Toma vergonha na cara e conta da sua mãe que você trata como uma cachorra. Você nunca trabalhou e nem sabe o que é isso. Tinha que dar muito valor a quem te criou porque quem te pariu nem na sua cara quis olhar. Cuida enquanto está viva porque depois que morrer você não vai postar ‘fotinha’ arrependida. Já passou da hora de você tomar vergonha na cara e sair das costas dela. Fica a dica”, dizia o comentário.
Despedida - A velório dos corpos de pai, mãe e filha aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Gonçalo. Familiares, amigos e autoridades, entre eles o prefeito José Luiz Nanci e o presidente da OAB estadual, Felipe Santa Cruz. “Não iremos sossegar enquanto o mandante e o executor não forem identificados e pegos”, comentou Santa Cruz. Entre os caixões do pai, o advogado Wagner da Silva Salgado, 42, e o da mãe, Soraya, o caixão com o corpo da pequena Geovanna Resende Salgado, de 9 anos, foi o único que permaneceu fechado durante a cerimônia, marcada pela diversidade religiosa. Alguns amigos das vítimas questionaram a falta dos familiares de Soraya. “Sabemos que ela e a irmã não tinham um bom relacionamento, mas não estamos aqui para caçar acusado. Só queremos que a justiça seja feita. Vamos confiar no trabalho da polícia e pedir que eles nos deem a resposta o mais rápido possível. Eles tiraram o direito de uma criança viver, temos que ter justiça”, desabafou uma amiga da família, que preferiu anonimato.
Para o presidente da OAB de São Gonçalo, Eliano Enzo, o crime foi algo que não tem explicação. “Não é uma dor minha, é uma dor de toda uma classe. Hoje todo mundo está sofrendo essa perda. Foi uma família inteira que se foi de forma inexplicável. Nada justifica essa brutalidade”, repetia emocionado.
Pontualmente às 16h, o cortejo fúnebre saiu da sede da OAB-SG, na Rua Euzelina, e seguiu pela Rua Doutor Alfredo Backer até chegar no Cemitério São Gonçalo, no Camarão, onde os corpos foram sepultados.
Com camisas personalizadas com a foto da família, cerca de 300 pessoas prestaram a última homenagem às vítimas. Presente no sepultamento, o diretor presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da OAB-SG, Robson Barcelos, afirmou que a instituição vai acompanhar de perto as investigações sobre o caso.
“Quando ficamos sabendo, na sexta, mandamos nosso pessoal direto para o local, onde já se encontrava nosso presidente. Depois seguimos para a Delegacia de Homicídios e vamos continuar juntos da polícia, acompanhando o caso”, disse. Durante toda a cerimônia, a mãe de Wagner foi amparada por amigos. Sob efeito de remédios, ela preferiu não falar sobre o caso.
Recordando - Na madrugada de sexta-feira, o casal e sua única filha, de apenas nove anos, foram executados a tiros enquanto dormiam no apartamento onde moravam, na Rua Aurélio Pinheiro, no Barro Vermelho.
Os corpos de Soraya e Geovanna foram encontrados por vizinhos em cima das respectivas camas, por volta das 4h. Já Wagner chegou a ser encontrado com vida no chão do quarto e foi socorrido por bombeiros para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas não resistiu.
Vizinhos contaram que a porta do apartamento não havia sido arrombada e que, aparentemente, nada havia sido roubado do imóvel. Eles ainda falaram que não ouviram barulho de tiros e nem perceberam nenhuma movimentação estranha no prédio.