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Movimentos a favor dos PMs estão firmes nos municípios

relogio min de leitura | Redação 12 de fevereiro de 2017 - 09:00
O movimento maior é em São Gonçalo, onde quatro tendas foram montadas na entrada do batalhão
O movimento maior é em São Gonçalo, onde quatro tendas foram montadas na entrada do batalhão -

Por Marcela Freitas e Matheus Merlim

Familiares de policiais militares mantiveram, ontem, o protesto de ocupação na porta de batalhões do Estado do Rio, entre eles o 7ºBPM (São Gonçalo), 12º BPM (Niterói), 35º BPM (Itaboraí) e 25º BPM (Cabo Frio). O movimento, encabeçado por esposas e mães dos militares, tem como objetivo exigir os pagamentos atrasados, como o 13º salário, o Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), que não é pago desde outubro, e do Regime Adicional de Serviço (RAS) Olímpico. Elas também pedem melhores condições de trabalho e redução de carga horária.

Segundo as esposas, o Comando Geral da PM convocou duas mulheres de cada ocupação para uma reunião. Entretanto, elas não teriam aceitado o convite, já que a exigência seria a apresentação do número da identidade. “Eles nos chamaram para conversar com a exigência de apresentarmos a identidade. É uma represália contra nossos esposos. Até para usar o banheiro no 12º BPM (Niterói), eles pedem nossa identidade. Essa é uma forma de rastrear os nossos maridos”, disse uma das mulheres.

São Gonçalo – No 7º BPM (São Gonçalo), as mulheres também negaram o convite. “Eles estão tentando enfraquecer o nosso movimento. Nós não vamos à reunião alguma. Se querem dialogar, que venham até nós. Já ficamos passivas demais com todo esse desrespeito. Não estamos aqui só por dinheiro, mas sim por dignidade”, afirmou.

Para conseguir manter a manifestação, elas contam com a solidariedade da população. “As pessoas trazem água, comida e frutas para mostrar apoio ao movimento. É muito bonito ver a população abraçando a causa das nossas famílias”, contou a autônoma Marcelle Silva, de 37 anos.

Além do pagamento em dia e dos débitos do ano passado, as mulheres pedem, ainda, equipamentos novos para os policiais, entre eles coletes mais resistentes. “É uma profissão muito perigosa e eles precisam de melhores condições de trabalho. Hoje, eles enfrentam uma operação com bandidos altamente armados e o colete que usam não suporta nem um tiro de pistola”, indignou-se Claudia dos Santos, 45, viúva de um policial militar, morto em combate em 2002.

Itaboraí – No 35º BPM (Itaboraí), a situação é parecida. Em revezamento, esposas e familiares se mantêm em frente a unidade, recebendo doações e apoio dos moradores. “Assim como na Constituição prevê que os militares não têm direito à greve, está escrito que precisam ter condições de trabalho e salários em dia. Mas o documento só vale quando convém ao Estado”, rebelou-se uma das esposas, que por medo de represália contra seu parceiro, não se identificou.

Confusão – Em São Gonçalo, dois policiais foram detidos, na manhã de sexta-feira, por ter dado água a duas manifestantes. O pai de um deles disse que o filho teve sua liberdade cerceada e só saiu com ajuda de advogados. O comandante da unidade, coronel Rui França, explicou que ninguém foi preso, mas que os policiais foram convidados a prestar esclarecimentos sobre alguns contratempos.

Em Niterói, duas mulheres acusam o comando da unidade de agredi-las. Após receber as denúncias das agressões, a vereadora de Niterói, Talíria Petrone (PSOL), foi com as mulheres ao Hospital Municipal Carlos Tortelly, no bairro de Fátima, onde foi constatado que uma delas teve um dedo do pé quebrado e lesões na cabeça. A outra apresenta escoriações e hematomas pelo corpo. O registro não pode ser feito devido à paralisação da Polícia Civil.

Talíria vai encaminhar o caso para as organizações de Direitos Humanos. “É inadmissível tamanha violência do próprio Estado contra as mulheres. Os direitos humanos dessas famílias precisam ser garantidos. Vamos acompanhar até o fim essa situação”, disse Talíria.

PM – Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o comando do 12º BPM (Niterói) teve que acalmar os ânimos exaltados de pessoas que cercaram duas viaturas. “O comandante foi ao local para dialogar com as manifestantes e pedir à elas para que se afastassem dos veículos, que já estavam preparados para patrulhamento. Assim que um policial militar assumiu a direção de uma das viaturas, uma mulher se deitou na frente do carro, colocando-se em risco de atropelamento. Quando o motorista decidiu sair de ré, uma outra mulher correu impulsivamente para a direção traseira da viatura. Neste momento, os policiais, entre eles o comandante do batalhão, contiveram-na para evitar um acidente. Não houve agressão contra as manifestantes”, informou a Polícia Militar.

Quanto ao policiamento, a PM respondeu que ele vem sendo realizado em quase sua totalidade, o contrário do que dizem as manifestantes.

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