Policiais civis e militares são presos por extorsão e roubo

Por Thuany Dossares
Oito homens foram presos - entre eles policiais civis e militares - acusados de integrarem uma quadrilha responsável por extorquir e roubar um morador de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. O bando manteve a vítima algemada dentro de sua própria casa enquanto praticava o crime. Segundo as investigações, o próximo alvo do grupo seria um dos chefes do tráfico do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, cujo nome não foi divulgado pela polícia.
As prisões ocorreram durante a Operação Stelio, desencadeada por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Publico (MP), e contou o apoio da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança Pública e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Durante a ação, seis mandados de prisão preventiva foram cumpridos, duas pessoas foram presas em flagrante e uma segue foragida da Justiça. Foram apreendidas pistolas, revólveres, munições, remédios, fardamento policial e cerca de R$ 13 mil em espécie. De acordo com o delegado Alexandre Herdy, titular da Draco, as investigações iniciaram em setembro, quando a polícia descobriu que os integrantes do grupo criminoso se apresentavam como agentes da especializada para cometer os crimes.
“Uma vítima compareceu à Subsecretaria de Inteligência e comunicou que, no dia 13 de setembro, foi abordada por cinco homens quando saía de sua residência, em Itaipu, Niterói. Eles apresentaram um mandado de busca e apreensão falso e se identificaram como policiais da Draco. Eles mantiveram a vítima e um amigo algemados na casa, fizeram ameaças e diversos questionamentos. Em seguida, subtraíram diversos bens, como roupas, relógios, notebook, um carro avaliado em R$ 36 mil, além de R$ 15 mil em espécie”, explicou Herdy.
As investigações apontaram que o capitão da PM Leandro Garcia Rodrigues Madeira, mais conhecido como Madeira, um dos presos durante a operação, era amigo da vítima e passou os dados dela para os comparsas.
Alexandre Mota de Assis, Marco Antônio Silva Carvalho, o Marquinho, o ex-policial civil Marcelo Tinoco de Carvalho, o policial civil Ubirajara de Jesus Júnior, o Biriba ou Júnior, atualmente lotado na Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), e o PM Thiago Barbosa Faria Vieira foram identificados e reconhecidos como participantes do falso cumprimento de mandado de busca e apreensão. Do grupo, apenas Marquinho segue foragido. Dias após invadirem a casa, os criminosos ainda ameaçaram a vítima obrigando que ela fornecesse o CRV do seu carro para a realização de transferência da titularidade, sob pena de uma nova “continuação de apuração pela Draco”. “O capitão da PM era amigo e sócio da vítima, que tinha uma dívida com o policial. Com base nisso, ele forneceu informações para os cinco autores do roubo e auxiliou na prática de ameaças, além de ficar com parte do produto do crime. Eles diziam que ela era investigada por envolvimento em clonagem de cartões, mas nada disso foi comprovado durante nossas investigações. O grupo abordava pessoas que tinham um padrão de vida alto, cuja origem era desconhecida, e as extorquia achando que não seria denunciado”, esclareceu o promotor Antônio Pessanha, do Gaeco.
A regularização do veículo roubado motivou, ainda, a prática de falsificação de documentos para a obtenção da segunda via da CRV. Esta fase contou com a atuação dos acusados: Franklin de Souza Veloso Mattos, Thiago José de Marins, Matheus do Espírito Santo Marins e Alberto José de Marins, o Betinho. Na posse do documento, Alexandre e Carlos Henrique da Silva Venturini foram abordados e detidos por policiais da Corregedoria do Detran e encaminhados para a 65ªDP (Magé) para a apuração de crime de falsidade documental na transferência do veículo. No curso das investigações, o policial civil Erick Martins de Souza Marques, lotado naquela delegacia, também acabou investigado por solicitar vantagem indevida para liberar o veículo roubado. Já o policial civil Ricardo Gonçalves da Rocha, à época lotado na 74ªDP (Alcântara), foi preso acusado de fornecer informações cadastrais sigilosas dos bancos de dados públicos para a quadrilha.