Beltrame pede pra sair

Depois de 10 anos à frente da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame vai deixar o cargo. Ele entregou, ontem, uma carta de demissão ao governador em exercício Francisco Dorneles, que aceitou o pedido. A informação foi confirmada hoje pelo governador licenciado Luiz Fernando Pezão. Ainda não há um nome para ocupar o lugar, porém o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Secretaria, Roberto Sá, é quem deve assumir a pasta.
O pedido foi feito logo após um confronto entre policiais e traficantes, ontem, na Comunidade Pavão Pavãozinho, em Copacabana, assustar moradores de toda Zona Sul do Rio. Na ação, três suspeitos morreram e um policial ficou ferido.
Em Brasília, Pezão afirmou que Beltrame tinha um compromisso com o Estado de ficar até o fim das Olimpíadas. No entanto, ele disse que ainda vai tentar convencer o Secretário para que ele fique até o fim de 2018.
"Ele já vinha cansado há muito tempo. Ele tinha um compromisso com a gente de ficar até as Olimpíadas. Se eu puder, vou conversar com ele para que possa ficar até o fim do nosso mandato em 2018", afirmou.
Caso não consiga convencer o Secretário a continuar, o Governo do Rio vai solicitar que Beltrame fique até o fim deste mês, quando ocorre o 2º turno das eleições municipais.
Início - José Mariano Beltrame assumiu a pasta em 2007, à convite do então governador Sérgio Cabral. Em 2008, ele iniciou o seu maior projeto de segurança: as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Em novembro de 2010, Beltrame liderou a retomada das comunidades que integravam o Complexo do Alemão, na Penha. A operação se tornou a maior da história da estado, reunindo 1,2 mil policiais militares, 400 policiais civis, 300 policiais federais e oitocentos militares do Exército.
Com a ocupação das favelas da capital, traficantes acabaram migrando para municípios vizinhos, como Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, fazendo com que o número da violência aumentasse.
A partir de 2014, com um investimento menor, o projeto UPP se mostrou falho. Segundo dados da Polícia Militar, de janeiro de 2014 à julho de 2015, 15 Pms morreram nas unidades, uma média de um policial morto a cada 40 dias. No mesmo período, houve um registro de 140 Pms feridos, ou um a cada quatro dias.