Pai perde filho para o tráfico e desabafa: ‘Eu já esperava’

Por Thuany Dossares
“Infelizmente eu já esperava que isso fosse acontecer. Eu já estava preparado”. As palavras emocionadas revelam a dor de um funcionário da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), cujo nome será preservado, ao ser informado sobre a morte do filho, de 17 anos, durante confronto com policiais do 12ºBPM (Niterói) no Morro do Santo Cristo, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, ontem pela manhã.
Mesmo após o rapaz ser apreendido quatro vezes pela polícia, pai não perdia as esperanças de ver o filho longe do crime. “Na última vez em que ele esteve preso, fui até a juíza da Vara da Infância e da Juventude e disse que estava me mudando, que tiraria ele daqui do Santo Cristo para tentar mudar de vida. Peguei dinheiro emprestado com diversas pessoas e deixei minha casa junto com toda família. Fiz de tudo pra tirá-lo dessa vida, mas parecia que ele não queria mudar”, desabafou. Mesmo com todo esforço do pai, o menor disse que voltaria à comunidade para impedir que os pontos de vendas de drogas fossem tomado por uma facção rival. “Estive aqui para tentar levá-lo para casa, mas ele não quis. Dei o meu telefone para alguns amigos e pedi para que me ligassem caso acontecesse qualquer coisa”, recordou.
Operação - Os PMs contaram que foram ao Morro Santo Cristo para combater o tráfico de drogas, quando foram recebidos a tiros por criminosos que estavam numa casa, no alto do morro. Durante o confronto, o adolescente acabou baleado e morreu ainda no local. Segundo os policiais, ele estava com uma pistola calibre 40. Outro rapaz, de 16 anos, que estava com um rádio comunicador, foi atingido por um disparo na perna esquerda. Ele foi encaminhado para Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca.
“Agora é enterrar e sentir a dor. Vamos sofrer, mas foi uma escolha dele”, encerrou o pai emocionado, a poucos metros do corpo do filho. O caso foi registrado na Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNSIG).