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Morte durante uma troca de tiros gera revolta em morro de Niterói

relogio min de leitura | Redação 25 de setembro de 2016 - 11:00
William da Conceição Miguel, de 19 anos, foi atingida por bala perdida no pescoço e nas costas
William da Conceição Miguel, de 19 anos, foi atingida por bala perdida no pescoço e nas costas -

A morte de um morador gerou comoção e revolta no Morro Bela Vista, no Sapê, em Niterói, na tarde de ontem. O corpo de William da Conceição Miguel, de 19 anos, foi encontrado no alto da favela, com perfurações no pescoço e nas costas, segundo a perícia da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNISG). 

Segundo os moradores, a vítima, que há cerca de um ano criava cavalos, tinha acabado de sair de uma espécie de cocheira para pegar um animal que havia fugido, quando foi surpreendido e atingido por tiros disparados por policiais militares. Ainda segundo os populares, na ação, uma outra moradora, de 49 anos, teria sido ferida por uma bala perdida em um dos braços, sendo socorrida pelos PMs e levada à UPA do Largo da Batalha. 

“Ele trabalhava em dois lugares, como mototaxista, entregador de pizza, e tinha essa criação de cavalos. Era responsável, pais de dois filhos pequenos. É um absurdo isso que temos que conviver diariamente, como se todo morador de favela fosse bandido”, desabafou uma parente da vítima.

Já a PM informou que, após uma incursão para checar denúncias sobre tráfico de drogas e aumento de roubos a pedestres na localidade, deu-se início a um confronto e William, que passava na hora, acabou sendo atingido. No local, os militares apreenderam um simulacro de pistola e uma metralhadora.

“Realizamos uma incursão de rotina na comunidade, houve uma troca de tiros e um rapaz foi atingido. Foi percebido também um rastro de sangue em uma outra área próxima ao local, mas ninguém foi encontrado. Agora precisamos aguardar a perícia da Polícia Civil que vai determinar a origem dos disparos”, declarou o coronel Fernando Salema, comandante do 12ºBPM (Niterói) que também não confirmou ferimentos em outra moradora. 

Inconformados, alguns moradores dificultaram a retirada do corpo ao tentarem impedir a passagem dos agentes da Defesa Civil, enquanto outros atiravam pedras contra os militares. Já no asfalto, policiais civis e militares tentaram acalmar a situação com disparos para o alto. Apesar do tumulto, ninguém ficou ferido.

Para o delegado responsável pelo caso, Gabriel Poiava, a primeira linha de investigação é “homicídio decorrente de oposição à ação policial”, mas outras informações ainda serão colhidas até que se chegue uma conclusão.

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