Homem mantinha mulher e os filhos em cárcere privado

Por Daniela Scaffo
“A partir de agora sou uma nova mulher. Sou uma pessoa livre. Poderei seguir com minha vida e dar melhores condições aos meus filhos”. O depoimento emocionado é de uma dona de casa, de 24 anos, que viveu quase sete anos em cárcere privado, sendo violentada sexualmente e agredida pelo próprio marido. Não suportando mais viver a situação, a jovem conseguiu fugir pela janela de casa, ontem pela manhã, e acionou policiais do 7ºBPM (São Gonçalo), que prenderam seu companheiro de 37 anos, em Tribobó, São Gonçalo.
A vítima contou que viveu um relacionamento marcado por diferentes tipos de violência com o acusado, com quem tem três filhos, um de seis anos, outro de quatro, e uma bebê, de apenas seis meses. No primeiro mês, o homem se mostrou carinhoso, mas a situação foi mudando completamente com o passar do tempo.
“Ele era um homem atencioso e me tratava bem. Depois foi mostrando suas garras, me agredia, não me deixava sair de casa e nem ao menos fazer contato com meus pais. Só ia para a rua acompanhada dele e não podia sequer sair do carro”, recordou a dona de casa.
Ainda segundo a jovem, o companheiro não trabalhava e vendia objetos de casa para tentar sustentar a família. No entanto, o dinheiro mal dava para comprar alimento para as crianças. “Ele não arrumava nenhum emprego porque queria ficar em casa me vigiando. Eu também não podia arrumar um emprego, pois ele não deixava. As coisas que ele vendia não davam para comprar nem alimentos para a gente, muito menos para nossos filhos, que são pequenos”, explicou. A vítima disse ainda que o homem também era agressivo com as crianças, principalmente com o mais velho, que tentava defendê-la das agressões. “Eu era abusada na frente dos meus filhos. Quando ele me espancava, as crianças tentavam me defender. Certa vez, ele bateu tão forte no mais velho, que a perna dele ficou roxa por semanas”, lamentou.
“Fui oprimida e humilhada o tempo todo na frente das crianças. No dia seguinte, depois de todo mal que nos fazia, ele dizia que tudo era uma prova de amor”, completou. Na tarde da última sexta-feira, a dona de casa foi novamente agredida e estuprada, como frequentemente acontecia. Cansada de ser submetida a todo tipo de violência, a jovem aproveitou o momento em que o companheiro dormia, na manhã de domingo, para fugir pela janela da cozinha. Ela correu o mais rápido possível até um orelhão, onde fez contato com a polícia. “Eu já vinha tentando fugir há muito tempo, mas ele sempre me achava e me levava novamente para casa. Dessa vez, graças a Deus, ele não conseguiu. Liguei para o 190 e em menos de cinco minutos a PM apareceu. Os policiais entraram lá em casa e o prenderam”, comemorou.
Aliviada e livre de seu algoz, a dona de casa disse que quer ser um exemplo para outras mulheres denunciarem casos de violência doméstica. “Eu vi a morte na minha frente por diversas vezes. A prisão foi um alívio para mim. Graças a Deus tudo acabou. É como se um peso tivesse saído das minhas costas”, finalizou.
O homem foi levado para a 73ªDP (Neves), onde acabou autuado por estupro, cárcere privado, lesão corpora e ameaça. Na delegacia, os agentes constataram que ele já tinha passagens pela polícia pelos crimes de estupro, lesão corporal e porte ilegal de arma.