PM é acusado de agredir e ameaçar jovem de morte

Por Thuany Dossares
Um soldado da PM, de 25 anos, lotado no 12ºBPM (Niterói), é acusado de agredir três pessoas da mesma família, na madrugada do último sábado, numa escola de samba, no Barreto, Zona Norte de Niterói. O militar, que já foi preso por porte ilegal de arma há dois anos, ainda teria ameaçado de morte uma das vítimas.
A família estava no mesmo camarote que o policial, quando os amigos dele iniciaram a confusão. “Um amigo do meu irmão pegou uma garrafa que estava no chão e colocou em cima da mesa. Isso foi o motivo para eles começarem a briga. Chegaram a falar que o rapaz estava roubando. Nisso ele já foi para cima do meu irmão, jogando as coisas que estavam na mesa em cima dele. Chegou até a tacar o balde”, narrou a jovem, de 19 anos.
Ao ver o filho sendo agredido, a mãe do rapaz tentou defendê-lo e acabou sendo atingida pelos objetos. “Não teve nem conversa. Ele já foi tacando as coisas e partindo pra cima do meu filho”, contou.
A jovem também tentou intervir e acabou apanhando com socos e tapas do militar, e precisou sair do local escoltada pelos seguranças do evento após ser ameaçada de morte. “A todo tempo ele me xingava muito e dizia que iria me matar, que eu não sairia dali viva. Depois que fui embora, escoltada pelos seguranças, chegaram a me ligar mandando eu sair de casa que ele estava indo atrás de mim. Então eu saí e fui até a delegacia, onde fui encaminhada para fazer exame de corpo de delito”, disse.
O caso foi registrado na 78ªDP (Fonseca) como lesão corporal, ameaça e injúria. O delegado José William de Medeiros, titular da distrital, contou que foi instaurado um inquérito para apurar os fatos e que o PM será intimado para prestar esclarecimentos.
“Acreditamos que ele calculou tudo e, por isso, levou esses dois caras estranhos. Eles se diziam integrantes de uma milícia que atua no Rio, que ninguém poderia mexer com eles. Eles esperaram os amigos do meu irmão irem embora para começarem a briga. Ele acha que é acima do bem e do mal”, indignou-se a jovem.
A mãe da jovem agredida diz temer pela segurança da filha. “Temos medo de que ele faça algo com ela. Estamos atrás dela o tempo todo agora. Não sabemos do que ele é capaz e até onde ele pode ir”, disse. O comandante do batalhão de Niterói, coronel Fernando Salema, disse que a PM também está apurando o crime. “Foi instaurado um procedimento apuratório. Ele será ouvido, pois também tem o direito a se defender e contar a sua versão. Se for comprovado tudo isso, ele irá responder por tais atos”, esclareceu o oficial.
Recordando - Em outubro de 2014, o soldado, na época lotado no 4º BPM (Bangu), foi preso por agentes da 76ªDP (Niterói) após ser flagrado, junto com outro rapaz, com duas pistolas de calibre restrito, além de equipamento de mira laser, no Centro de Niterói. Ele foi indiciado por porte ilegal de arma.