Ordem para matar jovem acusado de roubo partiu de ‘chefão do pó’

Por Gustavo Carvalho
Policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo investigam se a ordem para matar um jovem acusado injustamente de roubo, na Trindade, em São Gonçalo, partiu do traficante Alex da Silva Faria, o Lelequi, de 39 anos, apontado como chefão do pó na comunidade. Foragido da Justiça por homicídio, ele teria proibido os assaltos no bairro e determinado que seus ‘soldados’ submetessem os suspeitos de praticar esse tipo de crime a uma espécie de ‘tribunal do tráfico’. Na função de juiz, Lelequi teria decretado a sentença de morte do rapaz. O carrasco foi o gerente de uma de suas bocas de fumo, que está em liberdade condicional. Ele também já foi identificado pela DH.
O crime ocorreu na última terça-feira. O jovem, ainda não identificado, foi executado a tiros na Rua Leondino Magalhães Bastos. Ao lado do corpo, os criminosos deixaram uma placa com a seguinte frase: “Não roube na TDD (Trindade)”.
As investigações apontaram que o rapaz, que seria dependente químico, não havia cometido crime algum. A suspeita é de que ele tentava vender sua bicicleta para comprar drogas quando foi acusado injustamente de roubá-la. Segundo informações colhidas pelos policiais, três criminosos teriam disparado um tiro numa das mãos da vítima, como forma de punição pelos supostos roubos. No entanto, ao reclamar da dor dos ferimentos, ele acabou executado com outros quatro tiros.
No dia 14 de junho, um caso semelhante chocou moradores de São Gonçalo. O carpinteiro Francisco Sérgio Mendes Rocha, mais conhecido com Kôka, de 34 anos, foi perseguido e apedrejado até a morte por mais de 10 pessoas, que o acusaram de praticar pequenos furtos no Barro Vermelho.