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Motorista de ônibus é acusado de chamar passageira de ‘macumbeira’

relogio min de leitura | Redação 10 de agosto de 2016 - 11:00
Fabiana seguia para o trabalho quando motorista disse que ‘não carregaria uma macumbeira’
Fabiana seguia para o trabalho quando motorista disse que ‘não carregaria uma macumbeira’ -

Por Daniella Scaffo

“Somos de uma religião de matriz africana. Vivemos a realidade de nossos antepassados. Tenho muito orgulho disso, mas fico triste por sofrermos esse tipo de preconceito”.

O depoimento emocionado é da vendedora e candomblecista Fabiana Figueiredo de Souza, de 23 anos, que acusa um motorista de ônibus da Viação Tanguá, que faz a linha 39 (Marambaia-Coroado), de intolerância religiosa. O rodoviário deverá prestar depoimento hoje na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo.

De acordo com a jovem, que é moradora de São Gonçalo, ela passou pelo ritual de iniciação na religião há menos de um mês e, por isso, precisa usar roupas brancas e as guias, além de seguir uma série de restrições denominada de “Ewo” durante três meses. Diariamente, a irmã de Fabiane, a também vendedora Mariana Souza, 25, e o pai costumam acompanhá-la até o ponto de ônibus, com medo de que sofra algum preconceito. Mesmo assim, o que eles tanto temiam acabou acontecendo.

“Nós subimos no ônibus e meu pai ficou na escada, aguardando. O motorista ficou o tempo todo olhando para guias da minha irmã e depois disse que o ônibus não iria para o destino final. Então, descemos ali mesmo. Foi quando ele disse que ‘não carregaria uma macumbeira’”, recorda Mariana.

Coordenador da Comissão de Matrizes Africanas de São Gonçalo (Comasg) o pai de santo Gilmar Hughes foi quem aconselhou sua filha de santo (Iaô) a denunciar o crime à polícia. “Há muito tempo somos perseguidos e esse tipo de crime acontece frequentemente. É algo que devemos, sim, denunciar”, comentou Gilmar.

Representantes da empresa de ônibus declararam que o motorista apenas informou para a jovem que o coletivo seguiria outro itinerário. Agentes da Deam informaram que um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso.

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